Farc confirmam morte de líder e fundador Manuel Marulanda

Comandante teria morrido vítima de ataque cardíaco, disse o grupo.

Cláudia Jardim, BBC

25 de maio de 2008 | 15h50

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmaram a morte de seu líder, Manuel Marulanda Vélez ou "Tirofijo" (Tiro-certeiro em tradução literal) por meio de um vídeo transmitido pelo canal multiestatal Telesul. A informação foi anunciada pelo guerrilheiro Timoleón Jiménez "Timocheko". Ele afirmou que Marulanda, cujo nome verdadeiro era Pedro Antonio Marín, morreu de um infarto no dia 26 de março. "Com imenso pesar, informamos que nosso Comandante em Chefe, Manuel Marulanda Vélez, morreu no passado 26 de março como consequência de um infarto cardíaco, logo depois de uma breve enfermidade", declarou Jiménez, em um comunicado lido em frente à câmara.A morte do legendário líder da guerrilha ocorreu menos de um mês depois que as Farc perdessem dois outros integrantes da cúpula do grupo. A primeira baixa foi a de Raul Reyes, morto em um bombardeio do Exército colombiano no Equador e Ivan Ríos, assassinado logo depois pelo seu guarda-costas.Jiménez confirmou que Alfonso Cano, considerado por especialistas como moderado, assumirá o comando das FARC, grupo armado fundado em 1964 por Manuel Marulanda. No início do ano, o grupo armado libertou de maneira unilateral seis de seus 45 reféns considerados passíveis de troca e disse que respeitará o acordo que prevê mais trocas de seqüestrados por guerrilheiros presos. "Nossas propostas ao redor dos acordos humanitários e as saídas políticas continuam vigentes tal qual temos reiterados em múltiplas ocasiões. Geraremos esforços comuns para alcançar a paz democrática e derrotar a oligarquia de (que governa a) mais de 60 anos", disse Jimenez, diante de um grupo de guerrilheiros enfileirados em formação militar.Entre o grupo mantido em cativeiro, está a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, sequestrada há seis anos. "Pior momento das Farc"Para o ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, que revelou à revista Semana de sábado a notícia da morte de Marulanda, o fim da guerrilha que já dura 44 anos, estaria próximo."As Farc estão no seu pior momento, e para ninguém pode ser uma surpresa que o final das Farc está à vista, por isso falamos que se desmobilizem, que sua luta não tem sentido", disse Santos em entrevista coletiva, realizada em Bogotá neste domingo. De acordo com Santos, o Exército colombiano intensificará as operações de combate à guerrilha na selva. Para o governo, os alvos prioritários são os líderes das Farc. "As operações contra as Farc continuam em andamento, não só contra (Alfonso) Cano (que assume a chefia da guerrilha). Os membros do Secretariado são para nós alvos de alto valor", afirmou Santos. Com a morte de Marulanda, sobe para três o número de mortos que pertenciam ao Secretariado, máxima instância de mando da guerrilha, constituído por sete guerrilheiros. "Aos outros que não quiserem contar com a mesma sorte, abram os olhos, aproveitem esta oportunidade, porque vamos continuar com essas operações com igual ou mais intensidade", ameaçou o ministro de Defesa. Apesar do diagnóstico do governo, a guerrilha afirma que não retrocederá. "Juramos diante da tumba de nosso comandante que a luta continuará. Comandante Manuel Marulanda morrer pelo povo é viver para sempre", diz o comunicado lido pelo representante das Farc. RecompensasEm Bogotá, no sábado, o presidente colombiano Álvaro Uribe disse que pagará uma recompensa de até US$ 100 milhões aos guerrilheiros que abandonarem as armas e indicou que esses rebeldes poderiam ser libertados em regime de liberdade condicional. "O governo faz duas ofertas, uma é a de até US$ 100 milhões de dólares para aqueles integrantes do grupo terrorista das Farc que se desmobilizem, abandonem esse grupo e libertem os sequestrados.""Segunda oferta: buscaremos os mecanismos de liberdade condicional (aos desmobilizados)", disse Uribe. O mecanismo de pagamento de recompensas tem sido o principal trunfo do governo para incentivar as deserções e inclusive combates internos na guerrilha. Uma recompensa estimada em US$ um milhão teria levado à morte de Ivan Ríos, integrante do Secretariado das Farc, considerado um dos intelectuais da guerrilha, morto em março por seu guarda-costas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.