Fase de poucos amigos no Palestra

Caras fechadas, clima pesado. Sorriso zero, mau humor dez. Dirigentes negam crise. Culpa é da ansiedade

Bruno Deiro, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2009 | 00h00

Um ponto conquistado em 12 disputados. Três derrotas seguidas. Nenhum golzinho a favor. Sete contra. Os números incontestáveis da queda de rendimento do Palmeiras traduziram-se em um clima pesado no treino de ontem à tarde, no CT. Até o rachão, atividade normalmente amena, ganhou um ar sisudo. O momento de instabilidade do líder no Campeonato Brasileiro não inspira lá muitos sorrisos no Palestra Itália.

No treino com bola, realizado apenas pelos reservas, nada das tradicionais brincadeiras: em dado momento, houve até discussão por conta de um simples lateral. Entre os titulares, que fizeram apenas trabalho leve, só Vagner Love conversou com a imprensa.

Muricy Ramalho, calado na maior parte do treino, abriu a boca somente para soltar um comentário sarcástico, ao ver o jogador rodeado por jornalistas. "Quero ver se quando ganhar vai estar todo esse bando aí..."

Vagner Love deu entrevista para negar o boato de que estaria criando ciúme no grupo, por causa do alto salário. "Quando a gente estava ganhando, tudo estava às mil maravilhas. Não estou ganhando tanto... Até abri mão de dinheiro para vir para cá." Ao comentar a queda acentuada nas atuações recentes do líder, porém, a autocrítica foi pouco convincente. "Contra o Santo André (derrota por 2 a 0), jogamos melhor e tivemos chances claras", afirmou Love.

Hoje, às 14 horas, o atacante será julgado pelo STJD pela expulsão contra o Avaí e pode pegar até 6 jogos de suspensão.

MAIS PROBLEMAS

Cleiton Xavier teve ontem confirmada a lesão no músculo anterior da coxa direita e só voltará a treinar com bola em quatro semanas. O afastamento do meia, que se machucou na derrota para o Santo André, expôs as limitações do elenco alviverde. Com escassas opções para o setor, Muricy terá de achar soluções imediatas para os 7 jogos que restam.

Em tese, o substituto de Cleiton Xavier é Deyvid Sacconi, que foi contratado do Guarani em 2007 e desde então tenta mostrar a que veio. O reserva sequer foi relacionado na derrota para o Santo André, quando o titular se machucou. As outras opções são as jovens promessas Felipe e Joãozinho, de 18 e 20 anos, respectivamente.

O mais provável, porém, é que Muricy use um expediente que marcou sua passagem pelo São Paulo: a improvisação. Se o treinador optar por recuar Diego Souza, os atacantes Marquinhos e Robert brigam pela vaga no meio. Willians, que já chegou a jogar na posição, fraturou a bacia e só terá condições de atuar em meados de novembro. A outra alternativa é manter Diego abastecendo o ataque e improvisar com Edmílson no meio-campo.

Os outros titulares afastados por lesão, o zagueiro Maurício Ramos e o volante Pierre, fizeram os primeiros treinos físicos ontem. Maurício Ramos treinará com bola em duas semanas e Pierre tem chances remotas, de voltar a campo para as duas partidas finais do campeonato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.