Febraban muda logomarca em busca de nova imagem

Federação dos bancos diz querer melhor diálogo com a sociedade

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

A logomarca da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mudou para caber melhor em sua proposta de estreitar relacionamento com a sociedade. A nova identidade abandonou a antiga caixa azul que aprisionava as letras brancas e adotou letras azuis que flutuam sobre um traço para, com isso, dar mais leveza à grafia da assinatura. Uma alteração que corrobora a preocupação da instituição de se apresentar com maior transparência e proximidade até mesmo perante entidades que representam os interesses dos consumidores.

"Uma logomarca não está deslocada da realidade", explica Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da Febraban. "A nossa é uma etapa na evolução da entidade ao longo dos últimos anos, e quer espelhar a maior abertura da Febraban, com maior disposição para o diálogo e compromisso com a comunidade".

A mudança se justifica também em decorrência do crescimento das classes de menor poder aquisitivo no ambiente de consumo, como vem acontecendo atualmente. Pelos cálculos da Febraban, o País tem um potencial enorme de "bancarização", ou seja, de incorporar à atividade bancária quem não utiliza os seus serviços. "Mais da metade da classe C, estimada entre 90 milhões e 100 milhões de pessoas, não tem conta em banco", diz Vasconcelos. "Há aí um enorme trabalho a se fazer. O desafio é encontrar formas de trazer essas pessoas para a cidadania financeira com direito a crédito e produtos".

Se há todo um universo a conquistar, há também uma imagem a ser melhorada. Por causa da política de juros altos que imperou por décadas no País, a Febraban sempre foi vista com desconfiança pela sociedade. Um cenário que pode ter começado a mudar recentemente com a vigência de juros menores. Esse fato, associado ao bom desempenho dos bancos locais durante a crise que abalou as finanças globais - exatamente ao contrário do que aconteceu lá fora, onde os bancos foram os vilões -, faz a Febraban viver um momento oportuno para anunciar sua disposição para a abertura e o diálogo no atendimento das demandas dos usuários de bancos.

"É verdade que a situação anterior não nos favorecia e nos desagradava", reconhece Vasconcelos. "Mas, apesar de os bancos ainda serem um setor relativamente desconhecido, somos extremamente presentes na vida das pessoas." O processo de abertura da entidade foi desencadeado a partir de pesquisas que confirmavam o seu distanciamento e a falta de diálogo. Em busca de corrigir a rota, foi criado um conselho consultivo no começo deste ano. Dele fazem parte representantes de outros setores da economia e entidades de defesa do consumidor.

De uma série de reuniões surgiram medidas práticas, como a normatização por todos os bancos associados dos ritos de encerramento de contas, visando facilitar esse procedimento. Outra decisão a favor do consumidor foi a criação de informações, no site da Febraban, sobre a cobrança de tarifas bancárias de todos os associados de maneira a facilitar a comparação de preços.

"Estamos incorporando à nossa agenda questões firmes de adoção de finanças sustentáveis e até já assinamos o Protocolo Verde do Ministério do Meio Ambiente", diz Vasconcelos. Ele informa ainda que outros projetos serão anunciados nos primeiros meses do ano, entre eles um de educação financeira.

Nos 42 anos de existência, a logomarca da Febraban foi alterada apenas quatro vezes. Com investimentos de R$ 2 milhões, a nova identidade visual foi desenvolvida pela A10 Design. De acordo com dados do IBGE do ano passado, os serviços de intermediação financeira representam 6,8% do PIB.

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