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Federal é criticada por trote violento

Estudantes afirmam que reitoria da Univasf, de Petrolina (PE), sabe das agressões, mas não age; pró-reitor diz que caso está sendo investigado

Mônica Bernardes, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

A recente publicação de um vídeo na internet com estudantes dos cursos de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE), jogando baldes com fezes, sangue e urina de animais em calouros provocou críticas ao comando da instituição.

Segundo representantes de entidades estudantis, os casos de trotes violentos vinham sendo informados à reitoria há anos, "sem que medidas eficazes fossem adotadas". No vídeo divulgado na rede, os calouros são amarrados e banhados com a mistura de fluidos animais. As imagens, segundo a universidade, teriam sido feitas fora do câmpus.

De acordo com o pró-reitor de ensino da Univasf, João Carlos Sedraz, as imagens seriam de um trote praticado entre os anos de 2007 e 2008 e "já estariam sendo investigadas" pela procuradoria da universidade.

Para o pró-reitor, a "prova" do comprometimento da instituição com o combate aos trotes violentos foi o lançamento, na segunda-feira, de uma campanha educativa para coibir esse tipo de ação. "Preparamos cartazes e panfletos alertando que quem participa de trotes violentos pode sofrer sanções que vão desde uma advertência até a expulsão." As aulas recomeçam na próxima semana.

Sedraz afirma que desde 2008, quando a Polícia Federal chegou a ser acionada por causa de danos causados ao patrimônio da instituição durante um trote, a única forma permitida de recepção aos calouros dentro da Univasf é organizada pela própria instituição. As atividades incluem doação de alimentos e de sangue.

Paraná. O delegado do 3.º Distrito Policial de Ponta Grossa, a cerca de 120 quilômetros de Curitiba, João Manoel Garcia, disse ontem que está sendo "bem rigoroso" na apuração das responsabilidades pelo trote que levou três calouros da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) a serem internados com coma alcoólico anteontem. "Pode resultar em pena de prisão e possivelmente vai resultar", disse. Os calouros, internados e liberados no mesmo dia, começarão a cursar neste ano Agronomia, Ciências Contábeis e Educação Física.

O delegado disse ser prematuro destacar os crimes nos quais os envolvidos podem ser enquadrados, mas adiantou que pode ter havido fornecimento de bebida alcoólica para adolescente, constrangimento ilegal e lesão corporal. Pelo menos um dos adolescentes teria recebido golpes que lhe deixaram marcas no corpo, além de ter sido pintado com esmalte. O trote foi aplicado na calçada, do lado de fora da universidade.

Depois disso, os calouros foram levados a um bar nas proximidades, onde teriam sido obrigados a tomar uma mistura de cerveja, pinga, vodca e leite, o que levou os adolescentes ao coma alcoólico. Um deles ainda estaria com amnésia. "Já temos nomes de veteranos envolvidos", disse Garcia. / COLABOROU EVANDRO FADEL

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