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Feliz na montanha

Na Serra de São José, em Tiradentes, Gustavo Penna faz uma casa que brinca com a natureza

Marina Pauliquevis,

16 Outubro 2011 | 01h00

No alto de um morro nos arredores de Tiradentes, em Minas, uma casa de formas pouco comuns parece ter sido simplesmente posta ali do jeito que está agora, prontinha. Parece um objeto estranho naquele cenário verde da Serra de São José que quer brincar com a natureza. Ou será o contrário? "É a natureza que brinca com a casa", afirma o autor do projeto, o arquiteto mineiro Gustavo Penna.

 

O piso do interior da casa, de 300 m², se estende para a área externa, até ficar suspenso em uma ponta, onde o terreno entra em declive. No meio do caminho, o ipê foi abraçado pelo calçamento e integrou-se ao imóvel. Toda envidraçada, a face voltada para a serra deixa toda a luz entrar - não há nem cortina.

 

Lá dentro, poucos e confortáveis móveis escolhidos pelo casal de moradores. Paixão e ofício de um deles, a música também ajudou a definir a forma final da casa. Como parte do tratamento acústico do lugar, o teto é todo forrado com ripas de ipê instaladas sobre uma camada de lã de vidro que ajuda a absorver o som. Não só funcional, o ripado cria efeito interessante na parte curva da estrutura da casa. "Quis fazer uma brincadeira nesse projeto, combinando ideias do modernismo com um pouco do barroco mineiro, visto, por exemplo, nas curvas das janelas das casas antigas", diz Penna.

 

 

Ele, aliás, parece não ter problema de ir de um estilo para o outro nem de fazer grandes alterações de escala em seus projetos. Pode fazer uma casa na montanha para um casal ou um estádio de futebol; uma praça ou um museu. "Sou um clínico geral, detesto a rotina - isso para o criador é a morte. Entrar em vários universos é bom para a gente se reciclar e ainda posso aproveitar a experiência de um projeto em outro", afirma o arquiteto.

 

O que parece não mudar, independentemente do trabalho em questão, é a influência de Minas Gerais na obra. Nesta casa, por exemplo, na área social toda integrada, a cozinha tem um papel importante, como deve ser em toda boa casa mineira, diz ele. E a vista para a serra tem tudo a ver. "A melhor coisa em Minas é ver a montanha mudar com o sol", afirma Penna. "Esta é uma casa feliz."

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