Fenômeno El Niño pode proteger café do Brasil das geadas

As áreas de café do Brasil enfrentarão um menor risco de geadas neste ano, disseram meteorologistas, o que reduz as chances de o maior produtor global do grão sofrer com o frio intenso, que contribuiu com a alta dos preços globais para os maiores patamares em 34 anos no ano passado.

PETER MUR, REUTERS

09 Maio 2012 | 15h26

A principal razão para esse cenário é o "El Niño", fenômeno climático que deve trazer mais chuvas que o normal para o cinturão produtor de café do Sudeste.

Com mais umidade, a probabilidade de geadas é menor.

"Diferentemente do ano passado, a chance de geada é extremamente baixa, muito baixa", disse Olivia Nunes, meteorologista da Somar Meteorologia.

Isso poderia acalmar os mercados, que mudaram bastante nos últimos meses.

O café atingiu cerca de 3 dólares por libra-peso em Nova York em meados de 2011, o maior patamar em mais de 30 anos. Agora é negociado em torno de 1,737 dólar.

Enquanto uma geada destruidora é cada vez mais rara no Brasil, onde o café migrou para zonas com temperaturas mais quentes em relação ao passado, pequenos fenômenos de frio atingiram as áreas duas vezes no ano passado, quando o Brasil já colhia uma safra menor do ciclo bianual do arábica.

FRIO E QUALIDADE

O mesmo fator que protege a safra de geadas, oferece alguma ameaça para a qualidade se ocorre na colheita, agora que os trabalhos estão para começar.

Chuvas mais fortes que o normal durante o período tradicionalmente seco do inverno podem danificar os grãos.

Persistentes chuvas durante 2009 foram um problema para os produtores, que agora veem os preços do café caírem, com a expectativa de uma grande safra no Brasil.

Segundo a meteorologista da Somar, não deve haver uma repetição daquelas chuvas intensas, mas as precipitações devem ser mais frequentes que o usual para o inverno.

"Em geral, as chuvas não deverão causar muitas interrupções na colheita. Podem segurar as coisas por dois ou três dias."

Exportadores e analistas dizem esperar uma das maiores safras da história.

A estatal Conab prevê entre 49 milhões e 52,3 milhões de sacas na safra 2012/13, segundo sua última estimativa.

A Conab deve atualizar sua previsão na quinta-feira.

O outro lado do El Niño é que ele pode ajudar os primeiros estágios das floradas, as quais começam por volta de outubro.

Agrônomos dizem que uma escassez de chuvas durante o último período de 2011 pode reduzir o potencial da safra 12/13.

(Reportagem de Peter Murphy)

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