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Festival Villa-Lobos rompe muros estéticos

Evento que está em sua 54ª edição é realizado em mais endereços no Rio e faz uma mescla sem preconceitos entre o popular e o erudito

Julio Maria / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2016 | 16h44

Villa-Lobos tomou a cidade do Rio de Janeiro de uma forma que faz justiça à sua própria existência. Um festival que leva o seu nome, existente há 54 anos, espalhou por cantos do Rio uma música nova, vibrante, sem nenhum resquício separatista. De salas de concertos como a Cecilia Meirelles e o Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, ao reduto de sambas e choros da Lapa, no Bar Semente, a música de Villa-Lobos e do homenageado do ano, o multiinstrumentista Egberto Gismonti, esteve por vários endereços.

No Espaço Tom Jobim, na sexta, o encontro se deu entre as duas pianistas do Gisbranco, Bianca Gismonti (filha de Egberto) e Claudia Castelo Branco. Elas fizeram uma primeira parte instrumental, alternando sobretudo temas do homenageado e de Villa-Lobos. Estiveram ao lado do violoncelista e Jaques Morelenbaum. É quando toca assim, assumindo a postura de solista, que Jaques justifica o gigantismo de seu nome. Preciso, cheio de emoção, vibrante.

Para o segundo ato, as pianistas voltaram com outra face, na qual elas se apresentam cantando. É um equívoco o que fazem, nunca suas vozes chegam à competência de suas mãos, e isso cria um desequilíbrio em suas carreiras. Mas elas receberam o cantor Chico Cesar, e isso fez toda a diferença. Chico é grandioso, mesmo quando está apenas com o seu violão. Músicas como Templo ficaram ainda melhores ali, naquele acústico de dois pianos, vozes e violão, do que na gravação original do disco Respeitem Meus Cabelos, Brancos.

Um pouco distante dali, no térreo do Museu de Arte do Rio (MAR), um quarteto de sopros fez uma outra função no festival. Chamado 4X4, o grupo dos saxofonistas Felipe Amorim, Rodrigo Ravelles, Marco Saldanha e Thiago Martins fez ali obras de Chiquinha Gonzaga, Egberto (sempre, por ser ele o homenageado) e Villa- Lobos. Mas mais forte do que seus desempenhos, eles davam um frescor ao projeto, aberto à cidade, ao lado da revitalizada Praça Mauá, como um respiro.

A diretora de produção do festival, Andrea Alves, diz que tinha a intenção de ousar ainda mais. “Queríamos fazer algumas intervenções mesmo em algumas ruas, mas são ideias que ficaram para o ano que vem.” Ela diz que as salas de concerto são necessárias, mas que a ideia é mesmo a de misturar a música e a cultura dos dois mundos, como ensinam as obras do maior maestro que o País teve em sua história, Heitor Villa-Lobos. 

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