FGV: 73% dos moradores aprovam ocupação do Alemão

Na primeira pesquisa do Índice de Percepção da Presença do Estado (IPPE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), após a ocupação do Complexo do Alemão, 73% dos moradores do conjunto de favelas da zona norte do Rio de Janeiro atribuíram notas de 7 a 10 para a operação policial, realizada em novembro do ano passado.

PEDRO DANTAS, Agência Estado

24 de fevereiro de 2011 | 17h14

As percepções dos moradores sobre igualdade social, justiça, segurança e inclusão também melhoraram, mas a ausência do Estado ainda fica clara quando o assunto é saúde, educação ou infraestrutura, cujos índices são tão baixos como antes da ocupação. O Exército ainda está nas comunidades com a Força de Pacificação e 72% dos moradores apoiam a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Alemão. No entanto, apenas 7% dos 400 entrevistados sabem exatamente o que é o projeto e 66% conhecem "só de ouvir falar."

A primeira pesquisa do IPPE foi realizada entre 2009 e 2010, no Complexo do Alemão e em bairros da zona sul, zona oeste, zona norte e região central da cidade. A coleta de dados para a segunda pesquisa foi realizada nas mesmas regiões em janeiro deste ano. "Não descartamos que esta pesquisa foi impactada pela euforia, tanto no asfalto como no Alemão, após a tomada das favelas pela polícia. Na próxima pesquisa, talvez os índices possam cair, mas acredito que para um patamar ainda superior ao obtido antes da ocupação", disse o pesquisador responsável, Fernando de Holanda Barbosa Filho.

A avaliação da polícia melhorou. Na pesquisa anterior, apenas 26% dos moradores achavam que a polícia tratava bem os moradores. No levantamento de 2011, este número pulou para 49%, mas 51% ainda avaliam que são maltratados por policiais. Nas áreas nobres da cidade, 73% dos moradores avaliam positivamente o tratamento da polícia. "O morador do Alemão ainda acha que a polícia não dispensa a ele o mesmo tratamento dedicado aos moradores do asfalto", avaliou o pesquisador.

As entrevistas dos pesquisadores foram feitas antes da Operação Guilhotina, da Polícia Federal, no dia 11 de fevereiro, quando foram presos 42 policiais civis e militares, que roubaram armas dos traficantes do Complexo do Alemão e venderam para as quadrilhas rivais da Favela da Rocinha e do Morro do São Carlos. O chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, entregou o cargo e foi indiciado pela PF por vazamento de informações.

Entre os índices de serviço público que melhoraram, o acesso à cultura deu um salto de 45% para 58%, após a inauguração de uma sala de cinema. Os habitantes que acessaram a Justiça passaram de 39% para 49%, depois da ocupação. Entre os indicadores que pioraram, os serviços públicos de saúde são acessíveis para apenas 34% dos moradores. O saneamento, pavimentação e a educação também permaneceram com avaliações abaixo da média, mesmo após a inauguração de algumas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

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