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FGV agora prevê retração de 3% para o PIB em 2016

Para a coordenadora do relatório do Ibre, da FGV, 'a recessão será mais longa e similar às dos anos 1980'

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2015 | 19h05

RIO - O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) entrou para o time das equipes de analistas econômicos que pioraram suas expectativas para a economia em 2016, projetando recessão tão ruim quanto a deste ano. A equipe do Ibre/FGV revisou sua projeção para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 de uma retração de 2,1% para uma retração de 3%, como publicado no Boletim Macro Ibre e foi apresentado no seminário "Perspectivas da Economia Brasileira", no Rio.

"A recessão será mais longa e similar às dos anos 1980", afirmou Sílvia Matos, pesquisadora do Ibre/FGV que coordena o Boletim. "O carregamento estatístico é muito ruim. A gente está entregando para o ano que vem uma contração de 2%", completou a economista.

Na abertura do seminário, Régis Bonelli, pesquisador do Ibre/FGV, comparou a recessão atual, iniciada no segundo trimestre de 2014, conforme o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), também da FGV, com as de outros momentos históricos. Em termos de contração do PIB, a recessão atual só se compara com as duas dos anos 1980, entre 1981 e 1983 e entre 1987 e 1992. Bonelli destacou que as projeções apontam para uma queda de 8% a 9% do PIB no período da recessão atual.

"O que dificulta ver uma melhora é que os índices de confiança do consumidor e do empresariado estão em patamar muito baixo", afirmou Sílvia, destacando as projeções de piora do mercado de trabalho e de queda nos investimentos.

O economista Armando Castelar, também pesquisador do Ibre/FGV, comentou no seminário que a crise atual é diferente, "no bom e mau sentido". "Não temos uma crise externa. Aquelas outras crises começaram com uma crise de balança de pagamentos, dificuldade de pagar a dívida", afirmou.

Para Castelar, a origem da crise é a enorme deterioração da política fiscal especificamente em 2014 e o problema é que o governo, "na verdade, não quer fazer o ajuste". O resultado são os péssimos indicadores econômicos. Castelar destacou que, conforme as projeções, de 2014 a 2016, os investimentos encolherão 25%. 

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