FIÉIS DIVIDIDOS ENTRE A DÚVIDA E A SURPRESA

Padres tranquilizam comunidades de que as atividades da Igreja continuam normalmente

O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2013 | 02h03

No dia seguinte ao anúncio da renúncia do papa Bento XVI, católicos que compareceram às missas comentavam sobre como receberam a notícia. A reação unânime foi de surpresa. Enquanto alguns admiravam a coragem da decisão, outros se questionavam, curiosos, sobre o motivo que teria levado o papa a deixar o cargo.

O padre Luiz Fernando Pereira, pároco e reitor do santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, conta que observou em alguns fiéis uma postura de apreensão. "Para esse grupo, tentamos acalmar, oferecer alívio, assegurando que a Igreja continua e caminha. Que o nosso povo não se preocupe. Nós estamos sendo orientados, já veio uma mensagem da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Tudo está sendo feito com muita transparência e serenidade."

A frequentadora do santuário Maria Antonieta Marques de Oliveira, de 71 anos, diz que compreendeu a decisão ao ouvir a leitura da carta divulgada por Bento XVI. "Ele está doentinho. Nós, católicos, temos que apoiar, agora mais do que nunca. Ele é uma pessoa boa e está fazendo uma coisa muito linda: entregando para outro o que ele não está mais conseguindo fazer." Ela conta estar contente porque virá outro em seu lugar "talvez mais novo e com ideias novas".

Outra fiel, Denise de Carvalho Chamon, de 77 anos, também conta esperar que o novo papa seja mais jovem. "Acho que ele deveria ter um pouco menos de idade, para ser mais forte, ter mais energia", diz. Ela conta ter sentido tristeza ao saber da renúncia.

A enfermeira Eliete Cristina Soares, de 37 anos, disse que ficou sabendo da mudança na segunda-feira de manhã pela televisão. "Surpreendente foi, mas foi muita coragem da parte dele. Falar a verdade e assumir que, pelas limitações de saúde e de condições físicas, ele não pode continuar. Tem que ser respeitada a vontade dele", diz.

Sobre as expectativas para a escolha do próximo papa, ela afirma ter a esperança de que um brasileiro possa ser eleito. "Seria importante o Brasil ser representado. Mas independentemente da origem, o importante é que ele cumpra o papel corretamente, na fé."

Já a vendedora Nágila Lima do Vale, de 30 anos, que compareceu ontem à Paróquia Santa Cecília, no centro de São Paulo, disse estar curiosa de saber por que o papa tomou essa decisão. "A gente ficou triste por ele ter desistido. Ele estava fazendo um papel bom. A gente ficou surpresa e queria até saber o motivo de ele ter feito isso", diz.

O padre José Augusto Schramm Brasil, da Paróquia São Geraldo das Perdizes, comenta a surpresa geral da comunidade: "Não se cogitava e não se falava da possibilidade de o papa renunciar. Depois que passa, a gente percebe que isso é previsto. Na história, temos alguns papas que se afastaram." / MARIANA LENHARO

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