Fiéis ignoram chuva e frio na festa de abertura da JMJ

Em meio ao frio e vento que atingiam a praia de Copacabana nesta terça-feira, 23, no primeiro dia da Jornada Mundial da Juventude, os peregrinos comemoravam como uma bênção cada trégua dada pela chuva antes da missa de abertura, celebrada pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

23 de julho de 2013 | 20h04

"Chegamos debaixo de chuva, mas eu tinha certeza de que o tempo iria melhorar e a gente poderia assistir à festa com muita alegria", comemorava a irmã Carla Bezerra, integrante de um grupo de 60 freiras Filhas da Caridade São Vicente de Paulo. Vindas de várias partes do País, elas estão hospedadas na Tijuca (zona norte), e às 16 horas, muito empolgadas, dançavam ao som dos cantores que animavam a plateia. A essa hora a multidão já tomava conta de grande parte da areia da praia de Copacabana. Para a maioria dos fiéis, o palco era um ponto distante separado por uma área vip com 1.500 lugares e um espaço destinado a deficientes físicos.

Às 18 horas a chuva voltou a cair, mas a essa altura os peregrinos já estavam completamente envolvidos com a festa e poucos procuraram abrigo. A missa de abertura, a partir das 19h30, serviu como um teste para a cerimônia de acolhida do papa Francisco, que acontecerá nesta quinta-feira, 25.

Antes da celebração, dois telões instalados ao lado do palco alternavam imagens do show dos cantores com cenas da cidade do Rio, da visita do papa João Paulo 2º, em 1997, e de trechos do primeiro discurso do papa Francisco no Brasil, realizado ontem no Palácio Guanabara, em Laranjeiras (zona sul).

Bandeiras de dezenas de países e da Jornada Mundial da Juventude coloriram a festa, cujo público previsto era de 500 mil pessoas. Um grupo de índias pataxós, do sul da Bahia, aproveitou o encontro católico para vender artesanato feito por elas. "Não é só comércio, estamos lutando pela preservação da nossa cultura", disse Tamikuã Pataxó, que afirmou ser católica e estar emocionada com a oportunidade de ver o papa.

A multidão gritava, eufórica, cada vez que os apresentadores da festa anunciavam os nomes dos grupos presentes. Foi assim com o grupo Shalom, fundado em Fortaleza logo após a primeira viagem de João Paulo 2º ao Brasil, em 1980. Um grupo de 80 jovens vindos de Macapá divertiam a plateia com coreografia e música.

"João Paulo 2º expressava a fé, Bento 16, a esperança e Francisco representa a caridade. Para nós, ver o papa é uma alegria que nada pode pagar ", disse o coordenador do grupo de Macapá, Jullierme Oliveira, de 29 anos. Há seis ele tornou-se missionário e cumpre as obrigações de castidade, pobreza e obediência.

Antes da missa, os fiéis receberam a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora, os símbolos da Jornada, que estão no Brasil desde setembro de 2011 e passaram por 250 dioceses em todos os Estados brasileiros. Os dois símbolos chegaram ao palco e foram recebidos por bispos e cardeais de várias partes do mundo. A multidão, que ocupava mais da metade da extensão de três quilômetros da praia de Copacabana entre o palco e o posto 6, rezou o Credo, o Pai Nosso e a Ave Maria. Em seguida, a oração do Terço Missionário foi feita em várias línguas.

Mais conteúdo sobre:
jmjabertura

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.