Fiéis lotam Aparecida e Igreja pede a eleitor que exija mudanças políticas

Santuário Nacional recebeu mais de 130 mil pessoas no Dia da Independência; Igreja quer que fiéis votem nos programas de governo e não nos candidatos

Gerson Monteiro, Especial para o Estado/Aparecida do Norte

07 Setembro 2014 | 16h20

No domingo da Independência, o Santuário Nacional de Aparecida registrou a entrada de mais de 130 mil visitantes. O maior templo religioso abrigou a 27ª Romaria dos Trabalhadores e o 20º Grito dos Excluídos . A Igreja Católica aproveitou o grande movimento para mobilizar os fiéis a cobrar as promessas dos políticos.

Para d. Darci José Nicioli, bispo auxiliar de Aparecida, a independência comemorada na data em todo o país ainda é algo a ser conquistada. “É verdade que já conseguimos melhorias em termos de indicativos sociais, mas ainda há um tanto, seja na melhor distribuição de renda, na questão da reforma agrária, mais oportunidade para todos”, criticou.

Em 2013, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou uma campanha de mobilização popular em defesa da reforma política, denominada como Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática. De acordo com Nicioli, somente na Igreja Católica o documento já passa de um milhão de assinaturas. Outras organizações sociais e entidades de classe também participam do abaixo assinado.

O projeto defendido pela Igreja atua em quatro pontos: afastar o financiamento privado das campanhas eleitorais em troca de favores, o eleitor votar no programa de governo e depois eleger uma pessoa para ocupar o cargo(eleição de dois turnos), uma maior participação das mulheres na política e a democracia participativa.

Para incentivar a mobilização popular, a CNBB realiza um debate entre os candidatos à Presidência da República no próximo dia 16 de setembro, por meio da rede católica de rádio e televisão. O debate será no Centro de Eventos do Santuário Nacional e tem a presença confirmada de todos os candidatos.

“A gente não vota na cara, a gente tem que votar no programa, pensando também no grupo que acompanha o candidato”, pontuou Nicioli.

A posição da Igreja em defesa de mudanças políticas no país faz parte das renovações propostas pelo Papa Francisco, que busca na mobilização popular a força para transformações positivas em todo o mundo.

Quem participou dos eventos organizados pela Romaria dos Trabalhadores e pelo Grito dos Excluídos também criticou a política atual. “Falta o povo se unir, pois só se muda alguma coisa quando o povo está junto”, disse o vigia João Batista Madeira, de Duque de Caxias(RJ), que mesmo tendo idade e tempo de contribuição suficientes para se aposentar ainda aguarda o benefício trabalhando.

“É preciso renovar, trocar esses políticos que só prometem e não fazem nada”, comentou o pedreiro aposentado Antonio Pinto, de São Bernardo do Campo (SP), que há 15 anos participa do Grito dos Excluídos em Aparecida.

“A eleição é uma oportunidade ímpar de nós mudarmos aquilo que porventura não esteja correto, de nós mudarmos o Brasil. Isto é um direto e um dever”, defende Nicioli. “O voto é tão necessário quanto a planejar a própria vida, a vida de uma família, estamos planejando o Brasil”, completou.

O movimento deste feriado em Aparecida foi intenso. Os portões do estacionamento foram fechados às 10h, com mais de 92 mil pessoas. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Santuário, pelo menos mais outros 40 mil romeiros circulavam nas áreas vizinhas.

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