Fifa rejeita adiamento de eleições e abre espaço para novo mandato de Blatter

Entidade rejeitou por 172 votos a 17 moção para postergar pleito e investigar acusações de corrupção.

BBC Brasil, BBC

01 Junho 2011 | 07h24

A Fifa rejeitou uma proposta de adiar as eleições para a Presidência da entidade para esta quarta-feira, abrindo o camnho para que o atual presidente, Joseph Blatter, se eleja para o seu quarto mandato à frente da entidade.

Os delegados da entidade rejeitaram por 172 votos a 17 um pedido da Federação Inglesa de futebol, a Football Association, de postergar as eleições e apontar um órgão independente para investigar as alegações de corrupção dentro do órgão dirigente do futebol mundial.

Com isso, o atual presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, concorre sozinho para um novo mandato. Falando para os delegados, Blatter se comparou a um "capitão comandando um barco em uma tempestade".

"Fomos atingidos e eu, pessoalmente, fui esbofeteado. Cometemos erros mas vamos tirar conclusões das lições aprendidas. Posso dizer que em certa medida este é um sinal de alerta e não só nos faz olhar para nossos problemas e buscar soluções. Eu, pessoalmente, estou disposto a enfrentar a ira do público para servir o futebol. Sou um capitão comandando o barco em uma tempestade".

Na segunda-feira, Blatter negou que o futebol mundial esteja atravessando uma crise por causa de acusações de corrupção surgidas recentemente dentro da organização. Para ele, as denúncias são meras "dificuldades".

"O futebol não está em crise, está apenas (atravessando) certas dificuldades e elas vão ser resolvidas dentro de nossa família", disse.

As declarações foram dadas em uma entrevista coletiva poucas horas depois de Jack Warner, vice-presidente da Fifa suspenso no último domingo, ter divulgado um e-mail que supostamente sugeriria que o Catar teria "comprado" o direito de sediar Copa de 2022.

Blatter negou que as candidaturas para sediar as Copas de 2022 ou 2018 tenham sido irregulares.

As acusações foram negadas também pelos responsáveis pela candidatura do Catar, pelo presidente da Confederação Asiática, Mohammad Bin Hamman, também suspenso no domingo, e pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, que teria enviado o e-mail.

Valcke

Pouco antes, Warner havia divulgado um e-mail sugerindo que Bin Hamman "comprou" o direito de sediar a Copa de 2022 para o Catar.

O e-mail fora enviado por Valcke, que admitiu a veracidade da mensagem, mas afirmou que "foram citados apenas trechos selecionados" do e-mail.

"(Hamman) pensou que se pode comprar a Fifa como eles compraram a Copa do Mundo", escreveu Valcke no e-mail.

Em comunicado, Valcke negou que tenha sugerido que o Catar comprou o direito de sediar a Copa do Mundo.

"Ao me referir ao Mundial 2022 naquele e-mail, o que quis dizer foi que a candidatura vencedora usou sua força financeira para fazer lobby por apoio", disse ele em um comunicado.

Bin Hamman também negou as acusações à BBC nesta segunda-feira: "Não sei por que ele (Valcke) disse isso".

"Se eu estivesse comprando em nome do Catar, seria preciso também perguntar às 13 pessoas que votaram pelo Catar."

Quando perguntado se a acusação de Valcke era verdadeira, Bin Hamman respondeu: "O que você acha?" BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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