Fígaro está de volta, em versão contemporânea

William Pereira assina concepção cênica de O Barbeiro de Sevilha, que estreia no São Pedro com Rodrigo Esteves no papel do faz-tudo criado por Rossini

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Fígaro e sua famosa ária estão de volta aos palcos de São Paulo em uma nova montagem do Teatro São Pedro. O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, estreia hoje com direção musical de Emiliano Patarra e direção cênica de William Pereira. Como o faz-tudo Fígaro, que se vê às voltas com a difícil tarefa de unir o conde e a jovem Rosina apesar do olhar atento do tutor Bartolo, o barítono brasileiro Rodrigo Esteves.

As atrações não estarão necessariamente apenas no palco. Quando chegar ao teatro, é bom ficar atento ao seu redor. É que a montagem do Barbeiro é uma produção da Cia. de Ópera São Paulo, que esta semana traz ao Brasil a meio-soprano espanhola Teresa Berganza. Ela vai dar aulas ao longo desta semana e, na segunda, será homenageada com um recital. E daí? Daí que ela foi uma das grandes intérpretes - para alguns, a maior - do papel de Rosina na segunda metade do século 20. E deve comparecer a alguma das récitas da produção.

Mas, de volta ao palco. William Pereira tem relação estreita com a ópera - e suas montagens de títulos como As Bodas de Fígaro, de Mozart (em Manaus e no São Pedro), Colombo, de Carlos Gomes (no Municipal de São Paulo), e Gianni Schicchi, de Puccini (no São Pedro) têm como marca um olhar contemporâneo, que recusa o naturalismo na concepção visual e cênica. "Faço ópera para o novo público. Montar récitas seguindo os libretos à risca não faz sentido para mim. Busco sempre fazer uma leitura dos nossos tempos para as obras", diz o diretor. A mesma proposta ele aplica ao Barbeiro. A ópera era um projeto, antigo do ex-diretor do São Pedro, Nino Amato, que pensava inclusive na possibilidade de dirigi-la. Nino morreu no fim do ano passado - e a produção, segundo Pereira, é uma homenagem a ele.

Além de Esteves, cantor em ascensão no cenário internacional, como Fígaro, o elenco conta com outros importantes nomes do canto lírico brasileiro. A jovem Rosina será interpretada pela meio-soprano Luciana Bueno, que já foi Carmen no Municipal de São Paulo; o tenor Flávio Leite, um dos destaques da recente montagem mineira de A Menina das Nuvens, de Villa-Lobos, encarna o papel do conde Almaviva; o experiente baixo Eduardo Janho-Abumrad faz o mal-humorado e idiossincrático professor de música Don Basílio; o tutor de Rosina será o barítono Saulo Javan; Priscila Zamlutti interpreta a empregada Berta. Emiliano Patarra comanda os músicos da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal de Guarulhos. Por meio de uma parceria com o Instituto Vivo, a montagem terá esquema especial para possibilidade de acesso a deficientes visuais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.