Figo: técnica aumenta durabilidade

Uso de filme plástico de polietileno para embalar a fruta reduz perda de massa e conserva bom aspecto por mais dias

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2007 | 02h56

Após dois anos de estudos, a engenheira agrícola Franciane Colares Souza apresentou, na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Unicamp, dissertação de mestrado que mostrou resultados obtidos com o uso de filme plástico no aumento da durabilidade do figo. ''''É uma técnica simples, mas que dobra a vida útil da produção'''', garante.A técnica consiste em embalar caixas de figo com filme plástico de polietileno de baixa densidade. Os experimentos simularam em laboratório quatro variações de temperatura, próximas às verificadas durante o transporte da fruta, e as amostras foram acompanhadas durante uma semana. Segundo Franciane, para chegar à Europa, a fruta fica sem refrigeração por pelo menos quatro dias.RESULTADOSOs resultados mostraram que na embalagem envolvida por filme plástico, após sete dias, as perdas de massa foram inferiores a 2% e os frutos, maduros, apresentavam boa coloração e boa aparência. Já nas amostras que estavam sem a proteção, já ao fim do quarto dia, havia sinais de contaminação por fungos e as perdas de massa chegaram a 8%. ''''O produto ficou sem valor comercial, impróprio para o consumo.'''' Franciane foi orientada pelo professor Antonio Carlos de Oliveira Ferraz, um dos responsáveis pelo desenvolvimento de cestas plásticas com compartimentos individuais para a colheita do figo, em substituição às cestas de bambu.Para driblar a alta perecibilidade do figo, produtores costumam colhê-lo ainda verde para garantir que ele chegue em boas condições de coloração, sabor e aspecto ao mercado consumidor, sobretudo à Europa. Nestas condições, a fruta dura, em média, de quatro a cinco dias. Quem abastece o mercado interno consegue colher a fruta madura, mas mesmo assim a comercialização e o consumo devem ser imediatos, já que, nesse caso, a vida útil cai para no máximo três dias.A técnica é bem-vinda para exportadores - já que o trajeto é maior -, mas todos podem adotá-la. ''''O filme plástico é barato e fácil de achar.'''' Ela calcula que o material represente, no máximo, 1% dos custos totais de produção. Para quem exporta, a opção mais barata é embalar o palete inteiro; embalar as caixas individualmente encarece o processo. Quem fornece para o mercado interno embala a caixa com 24 frutas, sugere.

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