´Fila´ no cérebro dificulta ações simultâneas, diz estudo

Pesquisadores nos Estados Unidos descobriram uma razão plausível para a dificuldade que as pessoas têm de fazer duas coisas ao mesmo tempo.Um "engarrafamento" ocorre no cérebro quando as pessoas tentam realizar duas tarefas simultâneas, mostra uma pesquisa.Segundo ela, a atividade cerebral fica mais lenta quando se tenta executar uma segunda tarefa menos de 300 milésimos de segundo depois da primeira.A descoberta, divulgada na publicação especializada Neuron, dá sustentação à exigência de proibição do uso de telefones celulares ao mesmo tempo em que o usuário dirige um veículo, disseram os pesquisadores.Foi pedido aos participantes que apertassem uma determinada tecla ao usar um computador, em resposta a um entre oito sons diferentes, e a dizer uma sílaba, em resposta a oito imagens diferentes.Os pesquisadores da Universidade Vanderbilt usaram ressonância magnética para detectar mudanças na oxigenação do sangue do cérebro - uma forma de monitorar a atividade em diferentes regiões do órgão.Eles constataram que diversas partes do córtex não puderam processar duas tarefas de uma vez, levando a um "engarrafamento".Mas quando as tarefas foram apresentadas com um segundo de intervalo, não houve atraso.O líder do estudo, Paul Dux, disse que trabalhos científicos prévios haviam mostrado que as pessoas têm a limitação de fazer duas tarefas simples de uma vez - um fenômeno conhecido como "interferência da tarefa dupla"."Nós estávamos interessados em tentar entender estas limitações e em encontrar onde no cérebro este ´engarrafamento´ pode estar acontecendo", afirmou ele."Nós determinamos que estas regiões do cérebro responderam a tarefas independentemente dos sentidos envolvidos, elas se engajam na seleção da resposta apropriada, e, mais importante, eles mostraram que a atividade neurológica faz uma ´fila´.""A resposta neurológica à segunda tarefa foi um adiamento, até que a resposta à primeira fosse completada", acrescentou.Telefones celularesOs pesquisadores disseram que o estudo foi especialmente relevante para tarefas que as pessoas têm que desempenhar em um ambiente complexo, tais como pilotar um avião.Conversar em telefones celulares quando ao volante também é perigoso, dizem, porque os motoristas são bombardeados por informações visuais e muitas vezes e ainda conversam com passageiros.A pesquisa oferece evidências neurológicas de que o cérebro não pode, efetivamente, fazer duas coisas de uma vez. "As pessoas acham seguro utilizar um fone de ouvido ao usar o telefone celular quando dirigem, mas na verdade estão desempenhando duas tarefas cognitivas de uma vez", disse o co-autor do estudo, Rene Marois.Dux acrescentou: "O custo de tarefas duplas pode ser até um segundo, e isto é um longo período quando você está dirigindo a 80 km por hora".A lei que proíbe o uso de telefones celulares ao volante na Grã-Bretanha deverá se tornar mais rigorosa a partir de 27 de fevereiro, quando motoristas britânicos flagrados terão três pontos adicionados na carteira de motorista e uma multa de cerca de US$ 250.Uma em cada cinco pessoas admite usar telefone celular ao volante.

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2007 | 16h06

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