Filho de promotora do Rio diz que segurança foi agredido

Em nota, promotora Márcia Velasco, se solidarizou com Daniela Duque, mãe do jovem morto no sábado

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 20h13

O estudante Pedro Velasco disse em depoimento à policia na madrugada desta terça-feira, 1º, que amigos do estudante Daniel Duque, de 18 anos, morto a tiros durante uma briga em frente à boate Baronetti, tinham comportamento agressivo e quase dominaram o policial militar Marcos Parreira do Carmo, preso por ter feito os disparos. O rapaz é filho da promotora Márcia Velasco e o soldado fazia a sua segurança.  Pedro deixou a delegacia do Leblon sem falar com a imprensa. Aos policiais, o rapaz disse que foi procurado por um casal de conhecidos que dizia estar sendo perseguido. Ele teria avisado ao segurança que daria carona ao dois, quando um grupo se aproximou, fazendo ameaças. O depoimento do filho da promotora corrobora a versão do militar, que disse estar se defendendo e que atingiu Daniel por acidente. Nesta quinta, Daniela Duque, mãe do estudante morto, participou de um protesto em frente ao Palácio Guanabara. A organização Rio de Paz instalou dois balões vermelhos em frente à sede do governo, para chamar a atenção para o número de mortes pela violência. Um dos balões representava Daniel. O outro, o menino Ramon Fernandes Domingues, de 6 anos, baleado na cabeça em frente de casa, na Favela do Muquiço, durante operação policial. Daniela e a tia de Ramon, Iramar Luciano, se reuniram com o governador Sérgio Cabral. Ele se solidarizou com as famílias e prometeu empenho na investigação das mortes.  Em nota, a promotora Márcia Velasco, que está sob ameaça de morte há oito anos, desde que investigou o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, também se solidarizou com Daniela. No texto, ela lembra de sua luta contra a violência e conta que voltou a ser ameaçada pelo criminoso no último dia 19 de junho.  "Pedro sempre tentou ter uma vida mais próxima da normalidade, com todas as dificuldades que teve por causa de nossa situação. Fico triste ao ver que tantas pessoas o considerem um privilegiado por estar sempre protegido por um segurança. Na verdade Pedro é um prisioneiro, pela nossa condição de marcados para morrer." A promotora escreveu ainda que espera um julgamento justo para o soldado, que segundo ela, nunca havia disparado nos oito anos em que trabalharam juntos. "Eu lamento do fundo do coração a morte do jovem Daniel Duque. Lamento profundamente a violência que se repete nesta cidade como uma rotina sufocante. Quero justiça, assim como todos. (...) Quero que o policial seja julgado - e não prejulgado - com o direito de defesa que se deve dar a todos. Direito que até o homem que quer nos matar, a mim e meu filho, está recebendo".

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