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Filme iraniano ganha Urso de Ouro em Berlim

Deu vitória tríplice do Irã, no encerramento do Festival de Berlim de 2011, ontem à noite. O filme de Asghar Farhadi, Nader and Simin, A Separation, favorito da maioria da imprensa, ganhou os Ursos de Prata de interpretação masculina e feminina, para o conjunto dos atores.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

Parecia que o júri presidido por Isabella Rossellini estava, desta maneira, se desembaraçando do compromisso de ter de atribuir a Farhadi o Urso de Ouro de melhor filme, como todo mundo esperava. Nem o diretor acreditou quando Isabella fez o anúncio.

Ele fez um belo discurso. Lembrou o grande ausente do festival, o cineasta iraniano Jafar Panahi, cuja cadeira de jurado permaneceu vazia durante os dez dias que durou o evento. "Nosso povo é paciente", disse Farhadi, que manifestou a esperança de que o affair Panahi termine bem - para o artista.

A Berlinale foi palco de diversos debates e manifestações em defesa da liberdade de expressão no Irã. Resta saber se o presidente Mahmoud Ahmadinejad vai se deixar influenciar pela pressão da classe artística de todo o mundo.

Concorrente. Havia outro forte concorrente, o húngaro O Cavalo de Turim, de Bela Tárr, que, na sexta-feira, recebeu o prêmio da crítica.

O júri atribuiu seu grande prêmio ao concorrente húngaro, mas ele não ficou nem um pouco satisfeito. A decepção era evidente e a mandíbula cerrada traía a irritação. Bela Tárr nem agradeceu ao júri. Pegou seu Urso de Prata e desapareceu do palco do Berlinale Palast.

Outro importante Urso de Prata, o de direção, foi para o alemão Ulrich Köhler, por seu filme Sleeping Sickness.

Muita coisa no filme, o mistério da floresta, a própria ideia da reencarnação, aproxima Kohler do cineasta tailandês Apichatponmg Weerasethakul, que venceu em Cannes no ano passado, com Tio Boonmee, atualmente em cartaz nos cinemas de São Paulo.

A Alemanha, dona da casa, teve outro filme contemplado. O Prêmio Alfred Bauer, que leva o nome do criador do Festival de Berlim, costuma ser atribuído a um filme particularmente ousado, ou inovador. O escolhido deste ano foi If Not Us Who, de Andres Veiel, sobre as transformações políticas e comportamentais dos anos 1960. Baseado num roteiro original do próprio diretor, que fez extensa pesquisa e se muniu de farta documentação, acompanha personagens que deram origem ao grupo terrorista Baader Meinhoff.

Ambos os filmes alemães foram boas escolhas do júri e não simplesmente um ato de confraternização para agradar ao donos da casa.

Latino. A América Latina não foi esquecida. O concorrente argentino El Premio, de Paula Markovitch, foi duplamente premiado na categoria melhor contribuição artística.

O fotógrafo Wojcech Staron e a diretora de arte Barbara Enriquez obtiveram um reconhecimento superior às qualidades da obra. Embora premiando uma cinematografia de reconhecida importância, foi, talvez, o prêmio mais discutido do júri.

O mais votado pelo público na seção Panorama, fora do concurso, foi para También la Lluvia, da espanhola Icíar Bollaín.

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