Filme sobre Lula chega mais cedo para 2 mil sindicalistas

CUT, Força Sindical e UGT preparam pré-estreias particulares para filiados

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Principais alvos dos produtores do filme Lula, o Filho do Brasil, as centrais sindicais preparam pré-estreias particulares como parte da ação de divulgação do longa-metragem sobre os primeiros 35 anos da vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical e UGT (União Geral dos Trabalhadores) farão sessões fechadas para filiados antes do filme começar a ser exibido no circuito comercial, em janeiro.

As sessões exclusivas começam na quinta-feira e serão exibidas para cerca de 2.000 sindicalistas. As três maiores centrais, que representam mais de 10 milhões de trabalhadores sindicalizados, são peças-chave na divulgação do longa. Os produtores focaram nos sindicatos a estratégia para levar 10 milhões de pessoas ao cinema. Sindicalistas podem obter ingresso pelo preço simbólico de R$ 5, graças a acordo entre produtores e exibidores, como o grupo Severiano Ribeiro e Cinemark.

Sob forte ataque da oposição, o filme terá pré-estreia hoje na cidade de São Bernardo do Campo, com presença de Lula, ministros e familiares. O evento custará R$ 450 mil e está sendo bancado por empresas privadas, assim como a produção e distribuição do longa, que custou R$ 16 milhões. Das 2.100 pessoas convidadas para a sessão nos antigos estúdios Vera Cruz, 1.100 são ou foram metalúrgicos. Oficialmente, é a primeira vez que Lula assiste ao longa.

"Não podemos deixar de valorizar um presidente que veio do movimento sindical. Tivemos um que foi da Sorbonne (FHC), mas que não tinha a relação com o trabalhador que Lula tem", afirmou o presidente da UGT, Ricardo Pattah.

A oposição alega que as patrocinadoras bancam o filme por interesse em contratos com o governo. Entre as doadoras estão as construtoras OAS e Odebrecht e a operadora de telefonia Oi. Nenhuma usou benefícios de renúncia fiscal da Lei Rouanet, principal mecanismo de financiamento do cinema.

A pré-estreia de hoje será custeada por mais duas empresas sob alegação de serem ações de marketing. A prefeitura de São Bernardo do Campo, administrada por Luiz Marinho (PT), organiza o evento com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A Microlins, rede de cursos profissionalizantes, não divulgou quanto doou. "Por maior que fosse o investimento não seria possível mensurar o tamanho do retorno", disse por meio de sua assessoria. A empresa já recebeu recursos do governo e firmou parcerias com ministérios em concursos públicos.

A Embelleze, empresa de cosméticos, também não divulgou o valor do patrocínio. "A Embelleze tem como estratégia apoio em projetos sobre a realidade da vida dos brasileiros e a valorização da mulher guerreira", limitou-se a informar a empresa.

Para a oposição, a operação de divulgação do filme, que será lançado em ano eleitoral, beneficia a candidata do governo, a ministra Dilma Rousseff. Depois do Natal, começa a divulgação em rádio e TV, com comerciais de 30 segundos. Em março, haverá estreia na Argentina, Paraguai e Uruguai. "Empresas que recebem bilhões do governo bancando o filme. Fora o objetivo eleitoreiro", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Advogados do PSDB estudam qual medida tomar. O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, já pediu informações aos ministérios sobre os contratos das patrocinadoras com o governo.

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