Fim das sacolas plásticas gratuitas divide consumidor

Elogios e críticas são feitos a acordo entre supermercados e governo do Estado; gerente de loja diz que houve menos tumulto

KARINA NINNI, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h04

A entrada em vigor do acordo que acaba com a entrega de sacolinhas plásticas nos supermercados afiliados à Associação Paulista de supermercados (Apas) dividiu opiniões.

Muitos consumidores saíram de casa despreparados ou acabaram passando no supermercado sem planejamento e tiveram de comprar as reutilizáveis, vendidas a R$ 0,59. Outros, como os amigos Edilson Teixeira e Álvaro Guimarães, optaram pelas caixas de papelão. "A gente até sabia do fim das sacolinhas, mas não planejávamos passar no supermercado hoje", disse Teixeira, que saiu carregando quase uma dezena de garrafas de cerveja de 600 ml de uma loja na zona sul da capital paulista.

"Eu não concordo com a forma arbitrária como foi implantada a medida. Até porque não sei se esse papelão que estou levando será reciclado", diz Teixeira, que é jornalista.

Os músicos Carlos Eduardo de Castro e Igor Andrade também passaram de última hora no supermercado, junto com o amigo Lucas Azevedo. Saíram com o "lanche da tarde" na mão.

"Aprovamos a medida. O plástico é muito nocivo à natureza. Apesar de ser reutilizado, isso ocorre uma única vez e geralmente o plástico vira saco de lixo e vai parar num lixão, onde não se degrada", afirma Castro.

Já a instrutora de ioga Sueli Grillo estava indignada. "A gente sabe que a sacola está embutida no preço dos produtos. Então, das duas uma: ou se abaixa o valor das mercadorias ou se mantém a entrega de sacolinhas menos nocivas ao meio ambiente."

Para a designer Tatiana Siqueira, a adaptação será necessária, mas o consumidor perde com o fim das sacolinhas. "Eu reutilizava as sacolinhas em casa. Agora, vou ter de comprar saco de lixo."

A biomédica Cristiane Mascarenhas acha a medida "certíssima", mas ainda tenta entender como o saco de lixo pode ser melhor que a sacolinha. "A gente usa a sacola para outras coisas. Sinto-me trocando seis por meia dúzia."

O gerente de uma loja, que não quis se identificar, disse que "desta vez a implementação da medida foi menos tumultuada que em janeiro." Ele se refere ao primeiro prazo acordado entre a Apas e o governo do Estado, adiado para ontem por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

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