Finlandeses pró-europeus procuram assegurar ajuda a Portugal

O ministro das Finanças finlandês, que deve liderar o próximo governo, disse na quinta-feira que prevê que Helsinque faça sua parte em um resgate financeiro para Portugal em meados de maio, apesar dos grandes ganhos eleitorais conquistados por um partido eurocético.

TERHI KINNUNEN, REUTERS

21 de abril de 2011 | 11h19

O ministro das Finanças Jyrki Katainen buscou tranquilizar os parceiros na zona do euro e os mercados financeiros, depois de um aumento no apoio do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, que provavelmente fará parte da nova coalizão governamental, provocar receios porque o partido se opõe a pagar por um novo pacote de resgate financeiro.

"O novo governo que vai assumir precisa adotar postura clara na questão de Portugal e também em relação aos mecanismos temporários e permanentes", disse Katainen a jornalistas. Seu partido conservador de Coalizão Nacional recebeu o maior número de votos na eleição geral do domingo.

"Antes de 16 de maio a Finlândia precisa ter uma postura definida", disse ele. Indagado se ainda é a favor de dar ajuda financeira a Portugal, Kaitanen respondeu: "Sim".

Uma pesquisa da Reuters junto a cientistas políticos e analistas de mercado finlandeses constatou que todos prevêem que o partido dos Verdadeiros Finlandeses participe do próximo governo. Uma grande maioria prevê que Helsinque acabe apoiando o resgate a Portugal, mesmo assim.

A principal autoridade econômica da Comissão Europeia, Olli Rehn, também finlandês, disse que a Finlândia precisa chegar a um acordo quanto a sua posição em relação à assistência a Portugal até uma reunião de ministros financeiros da zona do euro marcada para 16 de maio, para evitar empurrar Lisboa em direção a uma potencial moratória.

"É preciso que a democracia e os resultados eleitorais sejam respeitados", disse Rehn em entrevista ao diário Helsingin Sanomat. "Em paralelo com isso, porém, o Eurogrupo precisa poder tomar decisões que evitem que Portugal mergulhe na insolvência."

Autoridades da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional estão em Lisboa, discutindo com o governo interino português as condições para um programa de assistência financeira ao país.

Portugal precisa de uma decisão da UE em maio porque enfrenta uma grande amortização de sua dívida em meados de junho, dias após uma eleição geral em 5 de junho que, segundo sugere a pesquisa de opinião mais recente, pode acabar em um impasse que exija negociações difíceis para a formação de uma coalizão.

Rehn descartou indiretamente a ideia levantada pelo líder do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, Timo Soini, e o Partido Social-Democrata, segundo colocado na eleição, de que possa haver um pacote de resgate alternativo no qual o ônus seria compartilhado por bancos e investidores do setor privado.

"O apoio a Portugal exige o mecanismo existente, que é capaz de ir diretamente aos mercados", ele teria dito. "O uso desse mecanismo requer unanimidade."

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