Físico que desafiou teoria de Einstein se demite na Itália

Antonio Ereditato liderava experimento Opera, que constatou erroneamente que neutrinos haviam viajado mais rápido que a luz

ROMA, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h06

O físico italiano Antonio Ereditato, porta-voz do experimento Opera - que detectou neutrinos que supostamente viajavam mais rapidamente que a luz, algo que contradizia a Teoria da Relatividade de Einstein - anunciou ontem sua renúncia.

O anúncio foi divulgado pelo Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) da Itália. Seu vice-presidente, Antonio Masiero, afirmou que a entidade "tomou conhecimento da renúncia do professor Antonio Ereditato como porta-voz do experimento Opera".

A decisão de Ereditato foi tomada depois que alguns de seus colegas no projeto apresentaram uma proposta na qual defenderam sua demissão. Apesar de essa moção não ter sido aprovada, ela gerou uma divisão entre os pesquisadores que levou o cientista italiano a apresentar a sua renúncia, informou a imprensa italiana.

Em setembro, os responsáveis pelo experimento Opera confirmaram a constatação da existência de neutrinos - um tipo de partículas subatômicas - que viajavam a uma velocidade superior à da luz, algo que a física considerava impossível até o momento.

O experimento consistiu em lançar feixes dessa partícula subatômica por terra do Laboratório Europeu de Física de Partículas (Cern), em Genebra, para o italiano de Gran Sasso, situado a 730 quilômetros de distância. Em várias ocasiões, a experiência levou a uma conclusão surpreendente: os neutrinos chegavam ao fim da jornada 60 nanossegundos antes da luz.

Dúvidas. No mês seguinte, uma pesquisa científica independente já questionava os resultados, dizendo que os neutrinos não apresentaram o nível de energia previsto pela experiência do Cern para uma partícula que estaria viajando mais rápido que a luz. Em fevereiro deste ano, os responsáveis pelo Opera no Cern advertiram que as conclusões do experimento que questionou a Teoria da Relatividade de Einstein poderiam ter sido produzidas por uma série de problemas técnicos nos aparelhos.

Um mês depois, um novo experimento do laboratório italiano de Gran Sasso refutou as conclusões preliminares do Opera e confirmou que os neutrinos não são mais velozes do que a luz.

O diretor da pesquisa do Cern, Sergio Bertolucci, declarou que esses novos dados reforçam a ideia de que os resultados do experimento Opera divulgados em setembro apresentaram um "erro na medição".

Ereditato confirmou por e-mail a sua demissão à agência de notícias Associated Press, mas não quis fazer comentários adicionais. / AP e EFE

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