FOCUS-Mercado mantém Selic a 8,50% em maio e vê PIB abaixo de 3%

Em meio à fraqueza da atividade no Brasil e das tentativas do governo para estimular a economia, o mercado bateu o martelo de que o Banco Central reduzirá a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, e reduziu sua estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) para abaixo de 3 por cento em 2012, segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira.

REUTERS

28 Maio 2012 | 10h37

Com isso, a taxa básica de juros será reduzida dos atuais 9 por cento ao ano para 8,50 por cento, atingindo o menor nível histórico.

Pesquisa realizada pela Reuters mostrou que 38 de 41 economistas esperam um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião. Dois preveem um corte de 0,75 ponto e um espera redução de 0,25 ponto.

O relatório Focus mostrou ainda que o mercado manteve a previsão de que a que a taxa básica de juros do país encerrará 2012 a 8,0 por cento ao ano. Para 2013, a expectativa também foi mantida em 9,50 por cento.

Já a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida para um crescimento em 2012 de 2,99 por cento, ante 3,09 por cento no relatório da semana passada. Para 2013 a expectativa é de expansão do PIB de 4,50 por cento, inalterado ante o relatório anterior.

"Todas as medidas que o governo tem adotado dão uma sinalização muito clara de que há uma preocupação grande em relação à atividade econômica, e a crise internacional mostra sinais de contágio mais forte na economia brasileira por meio da indústria", avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Diante disso, ele entende que a visão do BC é de um corte de 0,50 ponto percentual nesta reunião de maio e de mais 0,50 ponto à frente, com a Selic finalizando o ano a 8,0 por cento.

Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do PIB do primeiro trimestre e as expectativas são de que mostrará uma economia ainda patinando.

"O PIB é um dos fatores que têm justificado a continuidade da queda dos juros, pois existe um cenário bastante desanimador em termos de crescimento econômico", completou Agostini.

DIFICULDADES

A economia brasileira vem mostrando dificuldades em apresentar sinais consistentes de crescimento, mesmo diante das recentes medidas do governo de estímulo fiscal e monetário. A piora da crise da dívida na Europa dificulta ainda mais o processo pois pesa sobre as decisões de investimentos.

Analistas, entretanto, avaliam que o ritmo do corte de juros deverá ser reduzido, apostando que o BC se manterá fiel à mensagem dada na última reunião, de que futuras decisões seriam tomadas com "parcimônia".

"Mesmo com as incertezas do cenário externo mantendo-se no radar, reconhecemos que o BC deverá ressaltar a parcimônia em suas próximas ações e optará por um corte da taxa Selic em 50 pontos base. Além disso, o monitoramento da atividade continuará fundamental", afirmou o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, em nota.

O próprio governo já reconheceu que a economia brasileira não começou bem este ano. Dados do Banco Central mostraram que o Brasil entrou 2012 desacelerando, prejudicado principalmente pela dificuldade da indústria em lidar com a fraca demanda global.

Assim, o governo mantém em aberto o caminho para mais reduções na Selic, uma vez que a flexibilização da política monetária é uma das armas usadas para estimular o crescimento.

Mas, embora a projeção oficial ainda seja de uma expansão da economia na casa de 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, já há avaliações de que ela ficará mais perto de 3,2 por cento. .

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que a projeção de 4,5 por cento não deverá ser atingida. Diante disso, o governo anunciou mais medidas de estímulo à economia.

INFLAÇÃO

Apesar desse cenário e a da alta do dólar, a equipe econômica mantém a postura de que será possível levar a inflação para o centro da meta neste ano, de 4,5 por cento pelo IPCA.

No relatório Focus, as estimativas apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano a 5,17 por cento, frente aos 5,21 por cento vistos no relatório da semana passada. Para 2013 a expectativa foi mantida em 5,60 por cento.

Por enquanto, a inflação vem dando sinais de que caminha para o centro da meta do governo. O IPCA-15 -considerado uma prévia da inflação oficial- registrou alta de 0,51 por cento em maio, abaixo do esperado pelo mercado.

Já a taxa de câmbio prevista pelo mercado, segundo o Focus, para o fim de 2012 é de 1,90 real por dólar, ante 1,85 real por dólar na semana passada.

(Por Camila Moreira)

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