Fogo na Unesp de Botucatu destrói laboratório e salas

Incêndio atingiu prédio da Faculdade de Medicina Veterinária; não houve feridos, mas pesquisas de até 30 anos viraram cinzas

JOSÉ MARIA TOMAZELA/SOROCABA E PAULO SALDAÑA, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2012 | 03h06

Um incêndio destruiu, na manhã de ontem, parte de um prédio da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, a 235 km de São Paulo. As chamas destruíram duas salas e um laboratório de pesquisas de produtos de origem animal. O vice-diretor da faculdade, José Paes de Almeida Nogueira Pinto, estima que o prejuízo chegue a R$ 500 mil.

Uma das salas atingidas foi exatamente a da vice-diretoria ocupada por Nogueira Pinto. O fogo queimou documentos e um arquivo com pesquisas científicas de até 30 anos. Parte desse acervo não pode ser recuperada.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo começou provavelmente após um curto-circuito nas instalações elétricas. No prédio atingido funcionava o Serviço de Inspeção de Alimentos e de Produtos de Origem Animal, cujas pesquisas serviam de base para a atuação de agentes da inspeção sanitária.

O vice-diretor disse que muitos documentos importantes para a instituição foram consumidos pelo fogo. A sala ficou destruída: janelas envidraçadas explodiram e parte do telhado caiu. Ele acompanhou o combate às chamas, mas não conseguiu salvar o acervo. "Minha sala foi totalmente destruída. Minha vida de 30 anos nesta faculdade estava naquela sala. Perdi livros antigos que não dá para recuperar", diz Nogueira Pinto, de 54 anos, que também é professor de inspeção sanitária.

Fumaça. A faculdade não tinha aulas ontem por causa do feriado prolongado. No local, estavam apenas um faxineiro, um segurança e o fiscal federal Jean Guilherme Fernandes Joaquim, do Ministério da Agricultura e Pecuária. Joaquim estava de plantão em um escritório que o ministério tem na unidade, por volta das 9 horas. "O faxineiro me avisou que havia fumaça saindo de uma sala, usada como almoxarifado. Quando abrimos a porta, o fogo já estava forte", contou Joaquim.

Os dois correram para fora do prédio e perceberam que as chamas se alastravam com velocidade e uma fumaça preta e densa saia pelo telhado. Enquanto os bombeiros não chegavam, Joaquim tentou apagar as chamas com um extintor da faculdade, sem muito sucesso,

"A gente ouvia várias explosões de vidro e ainda havia o risco de explosão dos botijões de gás, que ficam bem perto. Por sorte o fogo não chegou à secretaria. O estrago seria maior".

O Corpo de Bombeiros isolou a área. O fogo foi controlado no final da manhã, mas tudo ficou destruído.

Perdas. Uma das salas atingidas tinha todo o material científico produzido por dois professores da universidade que pesquisavam a produção e a inspeção de alimentos de origem animal, como a carne, o leite e seus derivados. Pesquisas mais antigas se perderam de forma definitiva. A maioria dos estudos mais recentes estava em arquivos digitais e pode ser recuperada.

"Duas coletas de dados realizadas no último mês se perderam. Eram de uma pesquisa realizada em conjunto com o pessoal da USP, análises de qualidade higiênica sanitária de carcaças de bovinos", explicou o vice-diretor, Nogueira Pinto.

"Tínhamos acabado de comprar material biológico para pesquisa e uso no laboratório, que custou R$ 90 mil. Mas como muita coisa foi destruída, estufas, telhado, parte da sala, o prejuízo deve ficar em torno de R$ 500 mil", continuou.

O prédio havia sido reformado recentemente e muitas instalações eram novas. As causas do incêndio serão investigadas pela Polícia Civil. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) deve ficar pronto em duas semanas.

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