'Foi justo o veto. O prejuízo seria de bilhões de investimentos'

Cândido Vaccarezza: deputado PT-SP. Para deputado, é correto que haja a continuidade das obras e nada impede que elas continuem sendo fiscalizadas

Entrevista com

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Horas antes de ser escolhido novo líder do governo, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendeu o veto do presidente Lula ao pedido de exclusão do Orçamento de obras da Petrobrás que foram impugnadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). "Foi justo o veto, já que se trata de quatro obras que, caso não fossem adiante, o prejuízo seria de bilhões de investimentos", argumentou em entrevista ao Estado, dizendo esperar que a oposição "entenda".

Dez quilos mais magro - pouco dias depois de fazer uma cirurgia para redução de estômago -, Vaccarezza elogiou a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, e avaliou que na eleição ela não dependerá apenas da transferência de votos de Lula. "A Dilma tem capacidade de aprofundar os acertos do nosso governo", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O presidente Lula vetou a exclusão de obras da Petrobrás do Orçamento. Esse será um primeiro conflito que o novo líder do governo terá de enfrentar no Congresso?

Foi justo o veto, já que se trata de quatro obras que, caso não fossem adiante, o prejuízo seria de bilhões de investimentos. É correto a continuidade e isso não impede que elas continuem sendo fiscalizadas. Espero que a oposição entenda. É preciso pensar no Brasil.

A pré-campanha começou com um tom agressivo, com troca de farpas entre PT e PSDB e com o presidente Lula chamando de "babaca" o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). A disputa presidencial não começa mal?

Não. Eu acho que o essencial desta campanha, mesmo com altercações de tom, tem sido o debate de projetos. Quando o presidente do PSDB falou aquela bobagem, que ia acabar com o PAC, mexer no câmbio, mudar a política econômica, ele expressou a posição política do partido dele. São projetos diferentes e nós estamos debatendo projetos e caminhos para o País.

O PSDB aposta que não é hora de comparar os governos FHC e Lula, mas sim discutir o futuro.

A oposição rejeita porque fica assustada com a comparação. Eles não conseguem defender o que fizeram. Seria mais fácil que pedissem desculpas e apresentassem um outro projeto, fazendo uma autocrítica.

O presidente Lula é apontado com um dos políticos mais populares do mundo. Mas nem sempre se consegue transferir votos, veja o caso do Chile. Qual a expectativa de transferência de votos dele para a Dilma?

A eleição não será apenas a transferência de votos do Lula para Dilma. A eleição vai ser muito projeto e programa para o futuro do País. A Dilma foi a principal ministra do governo e é uma das principais responsáveis pelo sucesso do governo Lula. A Dilma tem capacidade de aprofundar os acertos do nosso governo, de corrigir eventuais erros e de trazer novas perspectivas e desafios que serão postos no futuro.

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