''Fonte dá ar mais elegante ao jornal''

Para inovar também na tipografia, o Estado trabalhou em parceria com o designer português Mário Feliciano. Responsável pelas fontes exclusivas do semanário Expresso, de Portugal, e do diário El País, da Espanha, foi ele quem criou as fontes Estado Headline, Estado Fine e Flama. "Busquei dar um ar mais contemporâneo à fonte do Estadão", resume.

, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

Qual a importância da tipografia na identidade de um jornal?

Total, porque a tipografia é a intermediária entre o leitor e o conteúdo. As letras são o sangue das palavras. E a tipografia inclui a forma como as letras estão organizadas, sua disposição na página, os espaçamentos.

Como se constrói uma fonte?

Como trabalho com isso há 14 anos, tenho uma noção do que funciona ou não em determinado meio. No caso do Estado, adaptei outra fonte que já havia construído. Fiz modificações para a letra ficar mais harmoniosa e apropriada à língua portuguesa, além de mais contemporânea. O jornal é um produto genérico, no sentido de que a minha mãe e a sua mãe têm de conseguir ler. Um dos aspectos mais importantes é o entendimento de que as letras são resultado de uma história. Não pode haver uma em destaque, tem de haver uniformidade.

Como melhorar legibilidade?

Todos os planos de proporção entre as letras afetam a legibilidade. Assim como a língua usada. No português existem, por exemplo, acentos e palavras curtas, como artigos e preposições. Isso também ajuda a definir o desenho da letra.

Qual é a identidade que a tipografia do "Estado" transmite?

Um ar contemporâneo, que tem a ver com o momento efervescente que o Brasil vive, mantendo a raiz histórica que caracteriza meu trabalho. Tudo isso é muito sutil. É difícil que o leitor comum racionalize essas sutilezas, mas, ao se confrontar com elas, sabe identificá-las. A fonte Estado é um tipo de letra que não rompe com o que é feito nos jornais do mundo, porque senão seria rejeitada. Mas tem uma personalidade. E ajuda a definir o caráter mais sóbrio e mais elegante que o jornal está buscando.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.