Força de paz da ONU foi provável fonte da cólera no Haiti--EUA

Há fortes indícios de que soldados nepaleses das forças de paz da ONU foram responsáveis pela epidemia de cólera no Haiti que matou mais de 5.500 pessoas, informou um novo relatório publicado pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

MATTHEW BIGG, REUTERS

30 Junho 2011 | 15h23

A epidemia foi uma das mais letais dos últimos tempos, disse o relatório, e atingiu um país que lutava para se recuperar do terremoto de janeiro de 2010. O tremor deixou mais de 300 mil mortos e destruiu a capital Porto Príncipe.

Os casos de cólera surgiram inicialmente em outubro na região do rio Artibonite, no centro do Haiti, e muitos haitianos disseram que a doença foi transmitida pelos soldados do Nepal, país onde a cólera é endêmica.

Essa alegação foi motivo de revoltas contra a ONU no ano passado no empobrecido país caribenho, e gerou graves problemas políticos para as autoridades da ONU. Uma missão de paz liderada por tropas brasileira já estava no país, que recebeu ajuda humanitária após o terremoto.

"Nossas descobertas apresentam fortes indícios de que a contaminação do (rio) Artibonite e de um de seus afluentes localizado correnteza abaixo de um acampamento militar desencadeou a epidemia," disse o relatório da unidade de Doenças Infecciosas Emergentes do CDC, sediado em Atlanta.

"Houve uma correlação exata de tempo e lugar entre a chegada do batalhão nepalês de uma área onde houve um surto de cólera e a aparição dos primeiros casos da doença em Meille alguns dias depois", disse o relatório divulgado na terça-feira.

Segundo o documento, provas de DNA sugerem que a doença foi introduzida a partir de uma fonte distante, em um único incidente.

Em um comentário separado, também publicado pelo CDC, os cientistas Scott Dowell e Christopher Braden disseram que o relatório fornecia "evidências circunstanciais de que a contaminação fecal de um riacho que deságua no rio Artibonite iniciou a epidemia."

Mas uma comissão de quatro membros criada pela ONU, nomeada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em janeiro, evitou atribuir culpa ou responsabilidade direta aos soldados da ONU, citando "uma confluência de circunstâncias" por trás da epidemia.

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