Força dos EUA no mundo diminuirá, diz inteligência americana

Relatório de tendências para 2025 aponta que China e Índia serão potências mundiais e destaca papel do Brasil

Agências internacionais,

21 Novembro 2008 | 07h09

 A força econômica, militar e política dos Estados Unidos no mundo deve decair nas próximas duas décadas, segundo um relatório de uma agências americanas de inteligência divulgado nesta sexta-feira, 21. O relatório foi produzido pela National Intelligence Council (NIC), entidade que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país. O documento aponta que Brasil, Indonésia, Rússia e África do Sul vão ganhar poder econômico, mas não devem "ter o mesmo peso político de Índia e China". Segundo a BBC, o texto afirma que a atual crise financeira é o começo de uma grande mudança na economia global, com transferência de renda do Ocidente para o Oriente e enfraquecimento do dólar.  A divulgação da NIC coincide com a transição do governo de George W. Bush para o presidente eleito, Barack Obama, nos Estados Unidos.  O estudo prevê vários cenários para o mundo em 2020 e foi elaborado pela equipe do Conselho Nacional de Inteligência, que reúne a CIA e outros 15 órgãos de inteligência dos EUA. O Conselho acredita que, em 2020, "os EUA ainda serão o país mais importante em todas as dimensões de poder, apesar do desgaste de sua posição".  O Brasil - ao lado de África do Sul, Rússia e Indonésia - faz parte dos "países arrivistas" (emergentes), segundo o relatório. "Esses países vão reforçar o papel de China e Índia, mas eles mesmos terão impacto geopolítico mais limitado". Enquanto isso, a Europa, o Japão e também a Rússia estarão sob pressão para lidar com o envelhecimento de sua população. "Os próximos 20 anos de transição para um novo sistema estão cheios de riscos", diz o relatório Global Trends 2025 (ou Tendências Mundiais 2025, em português). O relatório é elaborado a cada quatro anos, sempre coincidindo com a posse de um novo presidente americano.  O documento prevê que até 2025 o mundo pode se tornar um lugar mais perigoso, com menos acesso das populações à comida e água.  O National Intelligence Council acredita que no futuro os Estados Unidos continuarão sendo o país mais poderoso do mundo, apesar de perder parte da sua influência para países como China, Índia, Brasil e Irã. Já as disputas internas da União Européia um gigante lento. A NIC afirma que um mundo com mais pólos de poder potencialmente terá mais conflitos do que um mundo com uma ou duas superpotências.  A agência afirma que o aquecimento global e a escassez de recursos provocarão guerras no futuro. A disseminação de armas nucleares também deve crescer, com Estados considerados "párias" e grupos terroristas conseguindo acesso a materiais nucleares. Segundo a NIC, a ação dos líderes globais será decisiva para os rumos do planeta.  Impacto do BrasilO estudo aponta o Brasil como um país "essencial" com uma "democracia vibrante, economia diversificada, população empreendedora, grande patrimônio nacional e instituições econômicas sólidas". "O sucesso ou fracasso do Brasil ao equilibrar medidas econômicas pró-crescimento com uma agenda social ambiciosa para reduzir pobreza e desigualdade de renda vai ter um impacto profundo no desempenho econômico da região e governança nos próximos 15 anos", diz o documento.Segundo o conselho de inteligência, a atração de investimentos estrangeiros e a estabilidade regional vão continuar sendo axiomas da política externa brasileira. "O Brasil é um parceiro natural para os EUA e a União Européia e para as potências emergentes China e Índia, e tem o potencial de aumentar sua estatura como exportador de petróleo." O relatório diz também que o Brasil e a África do Sul são histórias de sucesso que devem servir de modelo para suas regiões. O conselho compara a emergência da China e da Índia à unificação da Alemanha no século 19 e ao poder dos EUA no século 20. Só uma "reversão abrupta do processo de globalização ou uma enorme convulsão nesses países evitaria a ascensão de China e Índia".var keywords = "";(Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e BBC Brasil)

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