Forças de Assad enfrentam desertores no sul e no centro da Síria

Tropas sírias enfrentaram desertores durante toda a noite no sul do país e mataram pelo menos três manifestantes que protestavam contra a prisão de um religioso, disseram moradores e ativistas na quarta-feira.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

19 Outubro 2011 | 09h29

Em novas deserções entre recrutas contrários à repressão militar aos protestos pró-democracia, pelo menos 20 soldados deixaram seus postos avançados ao redor da cidade de Hirak, 80 quilômetros ao sul de Damasco, e travaram um confronto contra as forças do presidente Bashar al Assad, segundo fontes que falaram à Reuters.

"Vi os corpos de três manifestantes no necrotério. Uma troca de tiros com rifles e metralhadoras está ocorrendo agora entre os desertores e o Exército logo a oeste de Hirak", disse um morador que se identificou como Mohammad.

Enquanto isso, uma ofensiva militar em Homs (região central do país) entrou no terceiro dia. Pelo menos 32 pessoas foram mortas nas últimas 48 horas em bairros sunitas, cenários de frequentes protestos e onde desertores e moradores armados enfrentam as forças governamentais, segundo testemunhas.

Ativistas disseram que milhares de soldados da Guarda Republicana e da Quarta Divisão do Exército revistaram casas na zona leste de Damasco sob o comando de Maher al Assad, irmão do presidente sírio.

Jornalistas estrangeiros foram expulsos da Síria, o que dificulta a confirmação independente dos relatos.

A ONU diz que 3.000 pessoas - inclusive 187 crianças - já foram mortas em oito meses de protestos contra Assad. O governo atribui os distúrbios a "grupos terroristas armados", e afirma que 1.100 policiais e soldados já foram mortos.

Horas antes das deserções em Hirak, a polícia havia alvejado manifestantes que protestavam contra a prisão do xeque Wasjih al Qaddah, imã da mesquita de Abu Bakr, palco de protestos frequentes pela renúncia de Assad, segundo moradores.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, disse que quatro soldados leais ao governo foram mortos na província de Idlib, no noroeste.

Em Homs, um vídeo divulgado no YouTube supostamente mostrava um tanque quebrado sendo rebocado por soldados no bairro de Bab Sbaa, onde os moradores gritavam: "Seremos livres, apesar de você, Assad," e "traidor é quem mata sua própria gente."

Mais conteúdo sobre:
SIRIA COMBATES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.