Forças de Assad tentam reagir; chefe de inteligência morre

Um quarto integrante do primeiro escalão do regime sírio morreu nesta sexta-feira em decorrência de ferimentos sofridos num ataque nesta semana, enquanto as forças do presidente Bashar al-Assad lutam para recapturar postos de fronteira e partes de Damasco que estão nas mãos dos rebeldes.

OLIVER HOLMES, Reuters

20 de julho de 2012 | 09h22

Refugiados estão deixando o país em massa, e funcionários da ONU ouviram rumores de falta de dinheiro nos bancos de Damasco. Aumentando a sensação de que os dias de Assad no poder estão contados, o embaixador da Rússia em Paris admitiu que o presidente sírio terá de deixar o poder.

Logo em seguida, a TV estatal síria exibiu uma mensagem do governo dizendo que essas declarações eram "completamente destituídas de verdade".

A emissora disse também que o chefe de inteligência Hisham Bekhtyar morreu na manhã de sexta-feira, em decorrência de ferimentos sofridos no mesmo ataque, enquanto os outros três mortos no ataque a bomba de quarta-feira --o ministro da Defesa, o poderoso cunhado de Assad e um general de alta patente-- eram sepultados.

Os confrontos em Damasco continuaram pelo sexto dia, e pelo menos três pessoas foram mortas em disparos de foguetes feitos por helicópteros militares contra o bairro de Saída Zeinab, na zona sudeste, segundo ativistas da oposição.

Rebeldes de outras partes da Síria têm convergido para a capital, prometendo a "libertação" da cidade.

"O regime está nos seus últimos dias", disse em Roma Abdelbasset Seida, líder do Conselho Nacional Sírio, principal coalizão de oposição, prevendo uma possível escalada da violência.

Os combates durante a noite foram mais intensos no bairro de Mezzeh, onde os rebeldes parecem promover ataques contra os muitos complexos de segurança existentes na região, segundo moradores.

A TV estatal disse que as forças sírias eliminaram "mercenários e terroristas" do bairro central de Midan. Ativistas da oposição e fontes rebeldes confirmaram na sexta-feira que seus combatentes se retiraram sob pesado bombardeio.

"É um recuo tático. Ainda estamos em Damasco", disse por telefone o comandante rebelde Abu Omar.

Moradores do centro de Damasco disseram que as lojas estão fechadas e que há pouca gente nas ruas, com menos presença militar nas ruas do que é habitual.

Também durante a noite, forças do governo atacaram um posto de controle na fronteira com a Turquia que estava em poder dos rebeldes, na localidade de Bab al Hawa, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade oposicionista com sede na Grã-Bretanha.

O Observatório reportou também bombardeios contra a cidade de Abu Kamal, perto da principal passagem fronteiriça para o Iraque, que foi capturada pelos rebeldes na véspera.

Mas, segundo uma autoridade iraquiana, os rebeldes sírios continuam controlando o principal posto fronteiriço de Abu Kamal, que fica na rodovia que acompanha o curso do rio Eufrates, e que é uma das principais rotas comerciais do Oriente Médio.

Outros postos de fronteira mais ao norte, perto da cidade iraquiana de Mosul, parecem permanecer sob controle dos militares sírios, segundo a mesma fonte iraquiana.

Até 30 mil refugiados podem ter entrado no Líbano nas últimas 48 horas, fugindo dos conflitos, segundo a ONU.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que 310 pessoas foram mortas no país na quinta-feira, sendo 98 membros das forças de segurança. Esse é o maior número diário divulgado pelo Observatório em 17 meses de conflito na Síria.

Os relatos vindos do país não podem ser confirmados de forma independente, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho dos jornalistas.

(Reportagem de Samia Nakhoul e Dominic Evans em Beirute, Suleiman Al-Khalidi em Cilvegozu, Turquia, John Ruwitch em Xangai, Khaled Yacoub Oweis em Amã, Steve Gutterman em Moscou, James Mackenzie em Roma e Stephanie Nebehay em Genebra)

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