Forças de segurança atiram e matam até 25 pessoas em Madagascar

Forças de segurança mataram até 25 pessoas em Madagascar neste sábado, abrindo fogo sobre um protesto contra o governo fora do palácio presidencial, informou uma alta autoridade da polícia que testemunhou a cena. Em duas semanas de protestos civis, alimentados por um conflito entre o presidente Marc Ravalomanana e o prefeito afastado da capital Antananarivo, Andry Rajoelina, 125 pessoas morreram e companhias que investem na ilha do Oceano Índico estão preocupadas. Uma autoridade policial, que pediu para não ser identificada, disse à Reuters por telefone do local do conflito que até 25 pessoas foram mortas quando as forças policiais abriram fogo contra um grupo da oposição. Muitos tiros se espalharam pela vizinhança e sirenes foram acionadas. Rajoelina acusou o governo de assassinato de civis: "As pessoas não estavam armadas, elas tinham apenas sua coragem", disse em sua rádio particular Viva Radio, logo após os tiros. Autoridades do governo não foram encontradas imediatamente para comentar. Um grande número de pessoas feridas chegaram sangrando ao principal hospital da cidade, algumas ficaram deitadas em macas nos corredores. "A multidão estava andando pacificamente, então de repente os militares abriram fogo", disse à Reuters Jocelyn Ratolojanahary, no hospital Ravoahangy Andrianavalona, enquanto tratava de um ferido. Ela afirmou que viu muitos corpos estirados no palácio. A oposição acusa Ravalomanana de ser um ditador. O presidente, que disseminou uma reputação da quarta maior ilha do mundo como um lugar seguro para turistas, nega a acusação e tem pedido diálogo para encerrar o derramamento de sangue. Uma semana trás, Rajoelina, de 34 anos, declarou que tomou o poder. Mais cedo, em uma reunião neste sábado, o ex-prefeito --que liderou uma série de greves e protestos contra o governo-- nomeou um primeiro ministro. Ravalomanana, entretanto, disse que continua no posto de presidente. Madagascar abriu suas portas para muitas companhias estrangeiras, que estão explorando petróleo, ouro, cobalto, níquel e urânio. Líderes do continente que se reuniram em uma conferência da União Africana na Etiópia nesta semana condenaram os ataques para tirar Ravalomanana do poder.

ALAIN ILONIAINA, REUTERS

07 de fevereiro de 2009 | 13h40

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