Forças sírias cercam reduto rebelde em Aleppo

Rebeldes sírios que tentam resistir a uma ofensiva militar em Aleppo disseram na terça-feira que estão ficando sem munição, enquanto as forças do presidente Bashar al Assad cercam seu reduto, no acesso sul da maior cidade do país.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

07 de agosto de 2012 | 11h01

Assad, que sofreu mais um golpe político na segunda-feira, com a deserção do seu primeiro-ministro, reforçou suas tropas preparando uma ofensiva para retomar bairros dominados por rebeldes em Aleppo, após repelirem os rebeldes na maior parte de Damasco.

"O Exército sírio está tentando nos cercar por ambos os lados de Salaheddine", disse o comandante rebelde Sheikh Tawfiq, referindo-se ao bairro da zona sudoeste, onde há intensos combates na última semana.

O bairro foi alvo de ataques com morteiros e tanques na manhã de terça-feira, obrigando os rebeldes a se protegerem em casas arruinadas e becos cheios de entulho.

Os tanques já entraram em partes de Salaheddine, e franco-atiradores do Exército, sob a cobertura de bombardeios pesados, se instalaram em telhados, atrapalhando a movimentação dos rebeldes.

Outro comandante rebelde, Abu Ali, disse que os franco-atiradores na principal rotatória de Salaheddine impedem os rebeldes de trazerem suprimentos e reforços. Ele disse que cinco combatentes seus foram mortos na segunda-feira, e 20 ficaram feridos.

Mas os rebeldes disseram que ainda controlam as principais ruas do bairro, que está na linha de frente dos confrontos entre os insurgentes e as forças do governo.

Um caça bombardeou alvos também em bairros da zona leste de Aleppo, e disparos de artilharia podiam ser ouvidos no começo da manhã, segundo ativistas locais.

"Duas famílias, umas 14 pessoas no total, supostamente foram mortas quando um míssil atingiu sua casa e desabou nesta manhã", disse o ativista. A casa ficava a um quarteirão de uma escola usada por rebeldes, segundo ele.

Enquanto os militares lutam para retomar Aleppo, Assad tem sofrido uma série de reveses, incluindo, na segunda-feira, a deserção do primeiro-ministro Riyad Hijab, que fugiu do país e rompeu com o "regime terrorista" de Damasco.

Hijab é membro da maioria sunita da população, e sua fuga mostra que Assad depende cada vez mais de um círculo íntimo ligado à seita minoritária alauíta. Os sunitas são o grupo mais ativo na insurgência dos últimos 17 meses contra Assad.

"Anuncio hoje minha deserção do regime homicida e terrorista, e anuncio que aderi às fileiras da revolução pela liberdade e dignidade", disse Hijab em nota lida por um porta-voz na TV Al Jazeera. Ele se declarou "um soldado nesta abençoada revolução".

(Reportagem adicional de Yara Bayoumy e Tom Perry em Beirute)

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