Forças sírias matam 13 em protestos inspirados na Líbia

Forças sírias mataram nesta sexta-feira pelo menos 13 pessoas em protestos contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, disseram ativistas e moradores. A maioria das mortes ocorreram na cidade de Homs, no centro do país, e em Hama, no norte.

REUTERS

21 de outubro de 2011 | 10h41

A morte do ex-líder líbio Muammar Gaddafi estimulou protestos em várias partes da Síria pedindo a saída de Assad, depois das orações desta sexta-feira, com uma presença de oficiais de segurança mais pesada que o normal, disseram as fontes.

Relatos iniciais de ativistas apontaram que pelo menos dois manifestantes foram mortos por tiros disparados por forças de segurança que tentavam dispersar as manifestações em Homs.

A cidade de 1 milhão de habitantes tem sido palco de extensas operações militares para reprimir protestos regulares e a insurgência armada nascente, que surgiu depois de uma repressão implacável às manifestações pedindo mais liberdade política.

"Gaddafi está acabado. É a sua vez agora, Bashar!", gritavam manifestantes na cidade de Maaret al-Numaan, na província de Idlib, de acordo com uma testemunha.

"Prepare-se Assad!", bradavam manifestantes na cidade de Tayyana, na província tribal de Deir al-Zor, na fronteira com a região muçulmana sunita do Iraque.

Assad, um oftalmologista que herdou o poder de seu pai, falecido em 2000, fortaleceu os laços com Gaddafi meses antes de a onda de levantes populares da Primavera Árabe contra as elites dominantes repressivas começar na Tunísia, em dezembro.

Os dois países fizeram uma série de acordos de cooperação e Assad posteriormente permitiu que uma estação de satélite sediada na Síria transmitisse mensagens de Gaddafi enquanto ele estava em fuga. Ele foi morto em circunstâncias ainda incertas após sua captura na quinta-feira.

Na cidade de Houla, ao noroeste de Homs, uma multidão de milhares segurava bandeiras sírias antigas datadas de antes de o partido Baath, de Assad, ter assumido o poder em um golpe há 48 anos.

"Doutor, você é o próximo!", afirmavam cartazes carregados por moradores, de acordo com imagens ao vivo.

Manifestações também eclodiram em Homs, capital provincial a 140 quilômetros ao norte de Damasco, onde três membros da mesma família também foram mortos a tiros em um bloqueio na estrada feito pelo Exército no distrito de Bab Sbaa quando eles seguiam para as orações, informaram ativistas locais.

Autoridades sírias afirmam que estão combatendo "grupos terroristas armados" em Homs que vêm matando civis, figuras proeminentes e soldados.

(Reportagem de Khaled Yacoub Oweis)

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