Forças sírias matam 5 durante protestos em Damasco e Aleppo

Forças sírias mataram nesta sexta-feira pelo menos cinco manifestantes que pediam a queda do presidente da Síria, Bashar al-Assad na capital Damasco e em Aleppo, no norte do país, contaram ativistas.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

04 Maio 2012 | 17h16

Os disparos ocorreram apesar do cessar-fogo em vigor há três semanas, como parte de um plano internacional que pretende acabar com os 14 meses de violência na Síria.

O mediador internacional Kofi Annan disse que seu plano está nos "trilhos", mas os Estados Unidos acusaram Assad de não fazer "nenhum esforço" para implementá-lo e disseram que a comunidade internacional precisará definir uma nova abordagem caso o plano de Annan fracasse.

Assad diz estar enfrentando "terroristas" apoiados pelo exterior, e aliados dele, como a Rússia, acusam os rebeldes sírios de também terem violado o cessar-fogo.

Três pessoas morreram por causa de disparos das forças de segurança contra uma manifestação no bairro de Kfar Souseh, em Damasco, e um adolescente foi alvejado e morto no bairro pobre de Tadamun, segundo ativistas.

Outra pessoa foi morta com um tiro em Aleppo, onde na véspera forças de segurança e estudantes munidos de faca atacaram um protesto universitário contra o governo, matando quatro pessoas. Segunda maior cidade e principal centro comercial do país, Aleppo vinha sendo até agora relativamente poupada dos distúrbios.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, estimou que mais de 20 pessoas tenham sido mortas na Síria nas últimas 24 horas, sendo três em Aleppo.

O chefe da missão de observadores da ONU na Síria, general norueguês Robert Mood, disse que a presença desse pequeno grupo está tendo um “"efeito calmante" onde opera, mas que ele não espera que os monitores sejam capazes de resolver a crise síria, que já deixou milhares de mortos desde março do ano passado.

Centenas de pessoas, incluindo civis, forças de segurança e rebeldes, foram mortas desde que o cessar-fogo foi decidido. A segurança está reforçada nesta sexta-feira em Damasco, a capital, com postos de controle e bloqueios viários na cidade toda.

As ruas que levam ao bairro de Midan, cenário de um atentado suicida na sexta-feira passada, que matou pelo menos nove pessoas, estão interditadas. Sete ônibus das forças de segurança estavam estacionados no acesso ao bairro.

Homens armados à paisana controlavam postos de controle, e numa rotatória dois soldados estavam sentados com uma metralhadora atrás de sacos de areia.

Um vídeo gravado em Tadamun e colocado no YouTube mostrou soldados apontando rifles automáticos na direção de jovens que atiravam pedras nesse bairro pobre da zona sul de Damasco. Ativistas disseram que um manifestante de 17 anos foi morto.

Não foi possível verificar a autenticidade do vídeo.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis, em Amã; e de Stephanie Nebehay, em Genebra)

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