Forças sírias matam 54 antes da chegada de Annan

As forças sírias mataram pelo menos 54 pessoas na sexta-feira, disseram ativistas, um dia antes da chegada ao país de uma missão de paz da ONU e da Liga Árabe, sob o comando de Kofi Annan.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

09 Março 2012 | 17h32

Morteiros e disparos de tanques caíram em bairros da oposição na cidade de Homs (centro), matando 17 pessoas, segundo os ativistas. Outras 24 teriam sido mortas na província de Idlib, e 13 em outras partes da Síria.

"Trinta tanques entraram no meu bairro às 7h da manhã, e eles estão usando seus canhões para atirar nas casas", disse Karam Abu Rabea, que mora no bairro de Karm al Zeitoun, em Homs.

Como ocorre todas as semanas, com intensidade cada vez maior, multidões saíram às ruas para protestar contra o presidente Bashar al Assad após as preces da sexta-feira.

Neste dia em especial, um foco das manifestações foi o aniversário de uma rebelião curda na Síria, em 2004, que deixou cerca de 30 mortos. Cidades do nordeste, com intensa presença curda, tiveram passeatas com milhares de pessoas.

A agência estatal de notícias Sana noticiou grandes manifestações pró-Assad em Damasco e Hassaka (nordeste).

As restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa dificultam a confirmação dos relatos que chegam do país.

A ONU estima que mais de 7.500 pessoas já tenham morrido em um ano de repressão aos protestos contras Assad, e que 25 mil tenham fugido para nações vizinhas - embora o número de refugiados não-registrados e de refugiados internos possa ser muito superior.

A coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, que visitou Homs nesta semana, disse que o governo de Assad concordou em participar com agências da ONU de uma "avaliação limitada" das necessidades dos civis na Síria, mas que pediu mais tempo para conceder acesso desimpedido para as entidades humanitárias.

Em entrevista coletiva em Ancara, depois de visitar refugiados sírios na Turquia, Amos se disse "devastada" com a destruição que viu em Homs, e disse que deseja saber o destino dos civis que viviam no bairro de Baba Amr, invadido pelo Exército em 1o de março, após quase um mês de cerco a posições rebeldes.

Annan, ex-secretário-geral da ONU que chega no sábado a Damasco, defendeu uma solução negociada para a crise, mas dissidentes dizem não haver espaço para o diálogo enquanto houver repressão. Annan tem prevista uma reunião com Assad.

Divisões entre as grandes potências impedem qualquer ação da ONU para tentar resolver a crise, já que China e Rússia se opõem terminantemente a qualquer medida que possa levar a uma intervenção militar, a exemplo do que ocorreu no ano passado na Líbia.

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