Forças sírias vão para segunda cidade do norte com protestos

Tropas sírias usando tanques e helicópteros avançaram em direção a mais uma cidade do norte do país na terça-feira, após prenderem centenas de pessoas em vilarejos próximos a Jisr al-Shughour, disseram moradores, enquanto mais refugiados fugiam para a Turquia.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

14 Junho 2011 | 12h50

Mais de 8.500 sírios já buscaram abrigo do outro lado da fronteira para escapar da investida militar mais recente do presidente Bashar al-Assad para sufocar os protestos que exigem mudanças políticas no país, que é governado pela dinastia Assad há 41 anos.

Milhares de outras pessoas estão vivendo em abrigos improvisados em áreas rurais próximas à fronteira, mas do lado sírio, onde a chuva forte gerou condições péssimas. Imagens da Reuters TV mostraram grupos de pessoas, parecendo assustadas e desgrenhadas, tentando secar cobertores encharcados.

A maioria dos refugiados veio de Jisr al-Shughour, a 20 quilômetros da fronteira, onde autoridades dizem que 120 integrantes das forças de segurança foram mortos por homens armados, dez dias atrás. Alguns ativistas dizem que moradores e soldados que desertaram entraram em choque com as forças de segurança.

O Exército retomou a cidade rebelde no domingo e parecia estar se aproximando da cidade de Maarat al-Numaan, situada ao lado da principal rodovia norte-sul da Síria, que liga a capital Damasco à segunda maior cidade do país, Aleppo.

Othman al-Bedeiwi, que é professor de farmácia em Maarat al-Numaan, disse à Reuters por telefone que helicópteros vêm transportando tropas para um campo em Wadi al-Deif, a vários quilômetros da cidade.

"Nos reunimos com o governador (da província) hoje, e ele nos assegurou que o Exército vai entrar apenas para prender 360 pessoas cujos nomes estão em uma lista", disse ele. "Mas a população de Maarat está cética."

"Meu nome está nessa lista como alguém a ser preso porque eu seria pistoleiro. Nunca segurei uma arma na vida."

1.300 MORTOS

O governo diz que os protestos, que vêm ocorrendo há três meses, fazem parte de uma conspiração violenta apoiada por potências estrangeiras e cujo objetivo seria semear a discórdia sectária. A Síria proibiu a presença no país da maioria dos correspondentes estrangeiros, dificultando a averiguação dos relatos.

A Turquia montou quatro campos de refugiados ao lado de sua fronteira com a Síria, e a agência de notícias estatal Anatolian disse nesta terça que as autoridades podem providenciar mais campos. O número de refugiados teria chegado a 8.538, mais de metade dos quais são crianças.

Grupos sírios de defesa dos direitos humanos dizem que 1.300 civis foram mortos desde o início do levante, em março. Um grupo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, afirma que mais de 300 soldados e policiais também foram mortos.

Assad, que herdou o poder com a morte de seu pai, em 2000, ofereceu algumas concessões para apaziguar os manifestantes, revogando o estado de emergência que estava em vigor havia 48 anos e prometendo um diálogo nacional, mas muitos ativistas minimizaram a importância dessas medidas.

A França, com apoio britânico, lidera os esforços para que o Conselho de Segurança da ONU condene a repressão movida por Assad aos protestos, mas a Rússia e China deram a entender que podem usar seu poder de veto para impedir a tomada de uma resolução.

Em Nova York, o enviado da França à ONU apelou na segunda-feira ao Brasil, que se mostrou cético, para apoiar um esboço europeu de resolução condenando a Síria pela repressão. Como a Índia e a África do Sul, o Brasil vem expressando reservas quanto a à resolução preparada por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal.

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