Ford vende Volvo para a Geely

Grupo chinês vai pagar US$ 2 bi pela marca de luxo, um terço do valor gasto pela empresa americana em 1999

, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

A montadora norte-americana Ford anunciou ontem a venda de sua filial de carros de luxo Volvo para o grupo chinês Zhejiang Geely. O negócio será concretizado no próximo ano e reforça o crescente poderio econômico da China, país que este ano alcançou a liderança mundial em vendas de veículos. Outro grupo chinês, o Sichuan, já havia adquirido neste ano a marca Hummer, da General Motors. O Bejing Auto negociou a compra da Saab, outra empresa sueca pertencente à GM, mas não houve acordo entre as partes.

A Geely ofereceu US$ 2 bilhões pelo controle total da Volvo, cerca de um terço do valor que a Ford pagou pela marca sueca em 1999, de US$ 6,4 bilhões, quando a unidade de automóveis do grupo foi separada da de caminhões.

Com essa venda, a Ford abandona de vez o mercado de carros de alto luxo. No ano passado, a montadora fundada por Henry Ford vendeu as marcas Jaguar e Land Rover para a indiana Tata, por US$ 2,3 bilhões, praticamente metade do valor pago anos antes pelas duas empresas. Em 2007, a Ford já tinha vendido a Aston Martin para um consórcio de investidores da Grã-Bretanha e do Kuwait.

Entre as três grandes montadoras americanas, a Ford foi a única que não recorreu a empréstimos do governo e à concordata para enfrentar a crise financeira internacional neste ano. O grupo também foi um dos raros no setor automotivo a registrar lucro no terceiro trimestre, mas ainda enfrenta dificuldades. Nesta semana, abriu um programa de demissões voluntárias direcionados aos mais de 40 mil funcionários nos Estados Unidos.

Comunicado divulgado ontem pela Ford afirma que as duas companhias "acreditam que um acordo final de venda será subscrito durante o primeiro trimestre de 2010 e a venda em si será fechada durante o segundo trimestre". Os prazos são necessários para finalizações de documentação, financiamento e aprovação por parte dos governos dos EUA e da China.

"Nossa esperança, e a de todos os que têm forte apego pela Volvo, é de que a Geely seja um proprietário sólido e que faça o possível para manter uma boa parte da produção na Suécia", disse ontem o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, a marca Volvo deve encerrar o ano com vendas de 2,3 mil automóveis, mais que o dobro das 1.098 unidades comercializadas em 2008. O modelo mais vendido da marca, com 1,3 mil unidades, é o utilitário-esportivo XC60, que custa entre R$ 138 mil e R$ 165,9 mil. O mais caro é o C70, vendido a R$ 240 mil.

A marca tem 18 concessionárias no País, metade delas inauguradas há um ano.

Com escritório administrativo na fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a diretoria local da Volvo informou ontem que não pode se pronunciar enquanto o negócio não for concluído.

A companhia Volvo foi criada em 1927 inicialmente para a produção de automóveis e, no ano seguinte, iniciou a produção de caminhões, negócio ainda mantido pelo grupo sueco, que atualmente emprega 22 mil pessoas, 16 mil delas na Suécia. No ano passado, foram produzidos 375 mil automóveis da marca. Em caminhões, o grupo é o segundo maior do mundo no segmento de pesados (veículos de grande porte).

O grupo chinês Geely foi fundado em 1986 pelo engenheiro Li Shufu inicialmente para produzir peças para refrigeradores. Em 1997, entrou para o ramo automotivo, tornando-se o primeiro grupo privado independente nesse setor. Hoje, tem seis fábricas na China com capacidade produtiva de 300 mil veículos por ano.

As projeções de analistas internacionais são de que a Geely deve vender 237 mil veículos este ano, ficando atrás das também montadoras independentes chinesas Chana, Foton, Chery, BYD, JAC, Dong Feng e Faw. CLEIDE SILVA e AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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