Alex Silva/AE
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Formato é documento

Copos e taças 'exatos' ajudam a bebida a chegar ao ponto ideal da boca, acertam sua temperatura, valorizam sua aparência. Aprenda a usar dos mais simples, sem pé, aos mais sofisticados, de cristal e com pé de galinha

Olívia Fraga, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 01h48

Os especialistas dizem que no copo certo até a água muda de sabor. Exagero? Quem é que nunca sentiu o gosto do plástico quando precisou matar a sede num copinho descartável? Agora imagine tomar um single malt num copo desses. Não, por favor, não faça isso, vai estragar a bebida. E a questão não é que o líquido que está ali merece reverência, mas sim que o copo de plástico piora o uísque: além de interferir no sabor e no aroma, não ressalta as qualidades da bebida.

Teores alcoólicos, texturas, sabores e aromas complexos exigem recipientes que amplifiquem suas particularidades. E é exatamente essa a definição para os bons copos e taças: eles são amplificadores da experiência de beber. Fazem isso por meio de seu formato, de suas curvas, da abertura, de seu tamanho e do material de que são feitos.

Essas características determinam a área da língua em que a bebida vai tocar primeiro. Apesar de a língua toda ter papilas gustativas, algumas regiões são mais sensíveis a certos sabores. Assim, é possível criar copos que projetem a bebida nas áreas em que serão ressaltados os sabores desejados para valorizar o que a bebida tem de melhor.

Copos de fundo curvo, por exemplo, destacam os aromas. São apropriados tanto para o vinho como para o conhaque, a grapa e a vodca. Isso porque a bebida cai com mais leveza, preenche a taça em circunferência e volta como se fosse uma onda de baixo para cima. Esse movimento desprende os aromas voláteis, fazendo-os subir, o que os torna mais próximos ao nariz e portanto mais perceptíveis. A boca do copo - se é reta, se é curva - também influencia na percepção dos aromas.

Quer manter uma bebida fresca? Use um copo menor e de vidro mais grosso. Bebidas doces e spirits devem ser servidos em taças pequenas, que destacam os aromas frutados.

"A borda redonda tende a acentuar a acidez; já a facetada permite que a bebida flua de forma mais sedosa e aveludada", explica Edmundo Furtado, em seu livro Copos de Bar & Mesa.

Hastes longas fazem a pessoa projetar o pescoço para trás, jogando a bebida para o centro e as bordas da língua, o que favorece a percepção de acidez e sabores complexos.

Quem primeiro notou que diferentes formatos proporcionavam impressões distintas e era possível direcionar o fluxo da bebida na boca foi o cristaleiro Claus Riedel, na década de 50. O famoso empresário austríaco se concentrou na família dos vinhos e foi detalhando os modelos de tal forma que acabou criando uma coleção de quase 40 taças da bebida, uma para cada tipo de uva entre as castas mais importantes. "As regras de Claus Riedel criaram um padrão que muitas cristalerias passaram a copiar", conta André Wollny, representante da alemã Spiegelau, que hoje pertence à Riedel. As pesquisas da cristaleria boêmia, aos poucos, foram ponto de partida para as demais cristalerias voltarem suas atenções às outras bebidas. "Aos poucos, cada uma exigiu para si um desenho especial", conta Tatiana Troubetzkoy, da Christofle.

 

Na mesma época em que se tornaram conhecidos os estudos de Ridel outra revolução no desenho dos copos começou nos bares dos EUA. Ela teve início depois que os americanos dominaram a tecnologia do vidro soprado em molde e, graças ao desenvolvimento industrial, criaram uma série de copos mais baratos, de ampla aceitação.

A coquetelaria exigiu novos tipos de copo, conforme surgiam os drinques. Misturas de frutas com destilados, bitters e gelo pediam copos maiores - a diluição do álcool provocou uma mudança no tamanho dos copos, que "cresceram" ao longo do século 20. A aprovação da Lei Seca, na década de 20, também deu sua contribuição ao design: os copos do tipo old fashioned - os tumblers, pequenos, de fundo reto (sem pé), que por serem visualmente diferentes dos copos usados para uísque on the rocks, eram perfeitos para disfarçar o bourbon entre gomos de laranja, gelo e Angostura.

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