Forte terremoto atinge Peru e é sentido no Acre; não há danos

Um terremoto de magnitude 7,0 atingiu nesta quarta-feira o Peru, com epicentro perto de Pucallpa, próximo à fronteira com o Brasil. O tremor assustou a população e sacudiu prédios, mas não há relatos de danos ou vítimas.

REUTERS

24 de agosto de 2011 | 18h02

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o tremor aconteceu 82 quilômetros ao norte de Pucallpa, região da floresta amazônica peruana, e a 210 quilômetros de Cruzeiro do Sul, no Acre, sendo sentido de maneira forte na cidade brasileira.

Em Cruzeiro do Sul, num supermercado no momento do tremor os produtos mais leves caíram das prateleiras, segundo uma testemunha Reuters.

A secretária municipal de ação social da cidade, Rosa Sampaio, espantou-se ao ver a iluminação pública e os fios dos postes em movimento. "Estranhei a cena porque não havia vento. Imediatamente as pessoas começaram a perguntar se havia percebido o tremor", contou ela.

Os bombeiros da cidade afirmaram que receberam chamadas de emergências, mas é improvável que o terremoto tenha causado danos "sérios", segundo o major Moisés.

Cruzeiro do Sul fica a 180 quilômetros da fronteira com o Peru e a 653 quilômetros da capital do Acre, Rio Branco, onde o terremoto também foi percebido. As pessoas ficaram apavoradas e correram dos prédios onde estavam.

"A cadeira balançou e vi as pessoas gritando e chorando. Todos deixaram o prédio imediatamente e foram para a rua. Ficamos mais de 30 minutos parados sem coragem para retornar", disse a advogada Patrícia Queiroz.

SEM DANOS

Na região do terremoto, zona central do Peru, operam algumas empresas petrolíferas, como a espanhola Repsol-YPF e a brasileira Petrobras, mas não existem reservas de minérios.

A mineradora peruana Southern Copper, controlada pelo Grupo Mexico, disse que suas operações no sul da nação andina não foram afetadas.

O diretor de operações do Instituto Nacional de Defesa Civil do Peru, Guillermo Alvizuri, afirmou a uma rádio local que até o momento não há informações de danos em nenhum lugar do país exportador de metais.

"Não há registros de casas destruídas, há problemas com a comunicação por telefone", disse ele.

O terremoto foi sentido também na capital peruana, Lima, a 600 quilômetros do epicentro, sacudindo prédios, informaram testemunhas. Algumas comunicações telefônicas foram interrompidas na cidade.

De acordo com informações de rádios peruanas, o tremor foi sentido com força em toda a região central do país, causando alarme na população, com estudantes saindo assustados de suas salas de aula e trabalhadores deixando seus escritórios.

No centro de La Paz, na Bolívia, 1.200 quilômetros a sudeste do epicentro, o movimento também foi sentido e os edifícios balançaram, mas sem provocar danos, segundo o observatório sismológico San Calixo, o mais importante do país.

O tremor foi inicialmente relatado como sendo de magnitude 6,7 e teve profundidade de 145,2 quilômetros. Houve uma réplica, de magnitude 5,3, registrada na região pouco depois do forte terremoto inicial.

"É uma profundidade que não é das maiores, (o terremoto) pôde ser sentido, mas certamente não causou danos", afirmou à Reuters o chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Lucas Vieira Barros.

"É uma região comum de terremotos, porque é uma região limítrofe de placas tectônicas. A gênese desse terremoto está associada à submersão... a placa de Nazca que mergulha embaixo da placa Sul-Americana e gera o atrito", explicou.

(Reportagem de Nelson Liano, em Cruzeiro do Sul; Raymond Colitt, em Brasília, e Bruno Marfinati, em São Paulo, Caroline Stauffer e Marco Aquino, em Lima)

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