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Guandu: feijão de várias utilizaçõesGostaria de informações sobre a qualidade nutricional do feijão guandu, aquela variedade que nasce em arbustos e que tem bagos semelhantes à soja. Esse feijão necessita de mais tempo que o feijão comum para ser cozido? Pode ser consumido em saladas ou mesmo como feijão comum, misturado ao arroz? É verdade que o guandu nitrogena o solo?Rubens Quintão Costarubensquintao@hotmail.comSobre a qualidade nutricional, as pesquisadoras Elaine Bahia Wutke e Cássia Limonta Carvalho, do Instituto Agronômico (IAC-Apta), explicam que o guandu pode ser usado na alimentação humana como fonte de proteína. Em média, o teor de proteína dos grãos está entre 20% e 23%. O guandu é rico em aminoácidos essenciais, como lisina (em torno de 12%), substância comum em leguminosas. Mas os teores de aminoácidos sulfurados metionina e cistina considerados, respectivamente, essenciais e semi-essenciais aos animais, são considerados inferiores, como no feijão comum. O guandu tem carboidratos, como sacarose, rafinose e estaquiose, e polissacarídeos, como amido e galactomananas. O consumo é feito de várias formas, desde os grãos verdes cozidos (como a ervilha em saladas) até como farinha, feita a partir de seus grãos torrados e moídos. As pesquisadoras destacam, entretanto, que pode haver diferença de sabor, já que os grãos de guandu não têm o mesmo sabor conhecido do feijão (Phaseolus vulgaris L.) ou da ervilha (Pisum sativum L.). O tempo de cozimento é semelhante ao do feijão comum, desde que utilizados os grãos mais novos ou recém-colhidos. Por ser uma leguminosa, o guandu também tem a capacidade de fixar o nitrogênio do ar atmosférico, por meio de simbiose com bactérias nodulantes (gênero Rhizobium), que ficam alojadas em nódulos nas suas raízes. Em média, podem ser fixados 100 quilos de nitrogênio por hectare, mas é recomendável que o produtor trate as sementes com inoculante específico para aumentar a eficiência dessa fixação, principalmente em área não cultivada antes com essa leguminosa. Contatos, e-mail: ebwutke@iac.sp.gov.br ou climonta@iac.sp.gov.br. Carambola: consumo deve ser moderadoO "Estado" publicou reportagem sobre o risco do consumo de suco de carambola por doentes renais e informou que lanchonetes da cidade de Jaú (SP) terão de exibir cartazes alertando os consumidores. Disse até que a população já começou a cortar os pés de carambola. Tenho três pés que, embora pequenos, estão produzindo bem um fruto muito doce. Gostaria de mais informações.Tina Iakitinaiaki@uol.com.brA professora Jocelem Salgado, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq/USP, explica que, de fato, a carambola apresenta boas quantidades de vitamina C, vitamina A e de fibras, mas também é rica em ácido oxálico, que, consumido em grandes quantidades, pode ser prejudicial à saúde. "Em grande quantidade, o ácido oxálico é prejudicial porque impede a adequada absorção de minerais, como cálcio e ferro, por exemplo", diz a professora, acrescentando que esse mesmo ácido é usado para eliminar ou atenuar manchas de ferrugem em panos e em objetos de metal. De acordo com Jocelem, a carambola possui também uma neurotoxina (só atua no sistema nervoso), que pode levar doentes renais crônicos à morte. "Um estudo publicado em 1998 na revista Nephrology foi o primeiro a mostrar que o consumo da fruta causa complicações neurológicas em pacientes com insuficiência renal crônica", informa. "Esses pacientes estão proibidos de consumirem o fruto, doces ou suco de carambola. Atenção também deve ser dada a diabéticos que tenham lesão renal e epilépticos em tratamento", fala Jocelem. Ela explica que a neurotoxina da carambola, ingerida por uma pessoa normal, é absorvida pela digestão, filtrada pelo rim e excretada, sem sintomas. Porém, se o rim não funciona, essa toxina é absorvida, concentra-se no sangue, atinge os neurônios em concentração maior e provoca soluços e convulsões. "A carambola tem dez variedades, com diferenças entre si. As mais ácidas têm mais toxina, enquanto as maiores e mais coloridas têm menos toxina. A árvore, em sua evolução, selecionou a toxina para se defender do ataque da mosca-das-frutas, por isso ela é considerada um inseticida biológico natural." Esalq, tel. (0--19) 3429-4150. Cedro australiano: onde obter mudasSobre o cedro australiano, uma árvore que está chegando no Brasil, gostaria de saber onde comprar mudas, tempo de crescimento e utilidade da madeira desta árvore.Walter BolognesiSão Paulo (SP)O cedro australiano (Toona ciliata var. australis) é uma espécie exótica, originária das regiões tropicais da Austrália, e adaptou-se muito bem no Brasil, principalmente no sul da Bahia e na Região Sudeste. Sua madeira é idêntica ao cedro brasileiro e é usada na fabricação de móveis finos e acabamentos em construção civil. Conforme especialistas, o cedro australiano é uma opção para produtores que querem diversificar a propriedade e investir em reflorestamento. Mas deve-se ficar atento: ao contrário do eucalipto, árvore de rápido crescimento que pode ser plantada em qualquer tipo de solo, incluindo áreas degradadas, o cedro australiano só se desenvolve bem se for plantado em solos férteis, em altitude de até 900 metros. O plantio pode ser feito a partir de sementes ou mudas. Para cultivos comerciais, os técnicos indicam plantio em espaçamentos 3x2 metros, ou 1.667 árvores por hectare. A idade de corte da árvore é em torno de 12 anos. Em São Paulo, o leitor pode encontrar mudas e sementes na Caiçara Sementes, no município de Brejo Alegre (SP), telefone (0--18) 3646-1165 ou por intermédio do endereço eletrônico www.sementescaicara.com.br. As sementes custam de R$ 1 a R$ 1.300 o quilo (que dá para fazer em torno de 80 mil mudas) e podem ser enviadas pelo correio. Outra empresa que comercializa a espécie é a Tropical Flora, com representantes nos municípios de Garça e Santo André (SP). A muda do cedro australiano custa entre R$ 2,50 e R$ 3 a unidade, mas a Tropical Flora informa que só haverá mudas disponíveis a partir de abril de 2009. A empresa também desenvolve projetos técnicos de instalação e manejo de áreas de reflorestamento. Mais informações nos telefones (0--11) 4992-1228 ou (0--14) 3406-5001. Urutau: mestre na arte da camuflagemEnvio a foto de um pássaro, que desconheço o nome, porém. Ele chega a ficar até três dias parado, impassível, como na foto. A foto foi tirada nos limites do loteamento Santa Helena, Bairro Campestre, no município de Piracicaba (SP).Walter ErcoliniPiracicaba (SP)O pássaro é um urutau, nativo das Américas, pertencente à família Nyctibiidae. No Brasil, é conhecido como "mãe-da-lua". É ave noturna que se alimenta de insetos, que apanha em pleno vôo. Pode, também, comer animais de pequeno porte, como morcegos, lagartos e pequenos pássaros, ensina a Wikipédia. Além disso, usa muito bem sua plumagem para se camuflar. Normalmente se passa por um pedaço de madeira, um galho de árvore ou mesmo troncos partidos. A ave, por seu canto, figura em várias lendas, como a de que o urutau surge na hora em que a lua nasce e seu canto se a assemelha a "foi, foi, foi".

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