Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2020 | 03h00

Autoritarismo

Discurso do ódio

Combate ao discurso do ódio e a ideologia do presidente do Brasil, tudo a ver. O secretário-geral da ONU, António Guterres, em pronunciamento no dia em que o mundo celebrou os 75 anos do fim da 2.ª Guerra Mundial, fez um alerta sobre o discurso de ódio, que remete à ideologia nazi-fascista de Hitler e Mussolini, de políticos populistas de extrema direita de nossos dias, como Jair Bolsonaro, no Brasil, Viktor Orbán, na Hungria, e outros saudosistas de regimes antidemocráticos. Guterres fez questão de enfatizar o cuidado que devemos ter com os discursos de ódio que infectam as redes sociais, contaminando a mente da juventude, que não tem ideia do mal mortal que eles representam.

PAULO SERGIO ARISI

PAULO.ARISI@GMAIL.COM

PORTO ALEGRE

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Camisas pardas

A recriação da Sturmabteilung (SA), do capitão Ernst Röhn, comandante da tropa de choque dos camisas pardas da Alemanha dos anos 1930, pelos inocentes úteis tupiniquins, poderá dar azo a uma futura Schutzstaffel (SS) bolsonarista. 

JOSE EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI

JEWAC@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Inimigos da democracia

Tal como as pessoas, a democracia não é perfeita, aprimora-se na vivência. As sociedades mais desenvolvidas vivem por ela. Nela, leis impessoais feitas por eleitos pelo povo regulam a política, a justiça, a sociedade. No Brasil ela tem pouco mais de 30 anos, num histórico centenário de atraso social, golpes e ditaduras. Populistas, fraudadores e bandidos míticos a odeiam, pois revela seus crimes, não serve a seus desejos pessoais e faz das pessoas de bem cidadãos, não gado. 

JOÃO BOSCO EGAS CARLUCHO

BOSCOCARLUCHO@GMAIL.COM

GARIBALDI (RS)

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Política externa

Reconstrução necessária

Excelente o artigo publicado em 8/5 (A7), ainda que muito triste, sobre a política externa brasileira assinado por oito pessoas (Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira, Celso Amorim, Celso Lafer, Francisco Rezek, José Serra, Rubens Ricupero e Hussein Kalout) que representam o melhor da experiência e do conhecimento da diplomacia nacional. Em menos de um ano e meio de governo, Jair Bolsonaro transformou o Brasil em pária internacional. Fiz parte do Secretariado da ONU de 1964 a 1996. Mesmo durante os horrores da ditadura militar, era um privilégio ser brasileiro, pois não fui rejeitado por nenhum país nas muitas missões de paz de que participei. Apesar da perseguição do governo ditatorial a muitos diplomatas ilustres, o Itamaraty conseguiu preservar as nossas tradições diplomáticas, que voltaram a fluir com o fim da ditadura. Se em tão pouco tempo Jair Bolsonaro já conseguiu causar danos incalculáveis à nossa política externa, o que vai restar se ele continuar no poder? 

GILBERTO B. SCHLITTLER SILVA, secretário-geral adjunto da ONU (aposentado)

GSCHLITTLER2@MAC.COM

SÃO PAULO

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Pandemia e economia

Falso dilema

O Brasil submergiu numa crise sanitária gravíssima. Hospitais apresentam leitos esgotados ou às portas da lotação completa. A vida humana corre risco e com as medidas de confinamento populacional, fechamento do comércio não essencial à sobrevivência, a economia está entrando em colapso. Então, o que salvamos: as pessoas ou a economia? Esse parece um conflito de roteirista ruim, que não sabe criar dilemas verossímeis para a construção de uma boa história. Se a economia é produto das relações humanas, ela só se mantém de pé em face da existência humana. Logo, o dilema do Planalto sobre quem salvar só prospera na mente de quem não entende absolutamente nada de economia. Em tempos de institucionalização da bagunça protagonizada pelo governo federal, esperar um bom roteiro é realmente muito frustrante. Falsos dilemas só cabem em comédias ruins.

CARLOS EDUARDO BARBOSA FERREIRA

EDUARDO.BARBOSA.CSO@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Crédito empacado

Linha de crédito para pagamento de salários tem só 1% liberado, diz o Estado de 6/5. Realmente, essa linha de crédito não está disponível nos bancos. Tenho uma empresa correntista de um banco privado e este só libera para quem tem a folha com ele há pelo menos três meses. Já o Banco do Brasil está analisando desde março.

GASPAR GASPARIAN FILHO

GASPAR.GASPARIAN@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Força maior

A propósito do editorial O princípio da força maior (9/5, A3), o oportunismo é uma faca no peito dos necessitados nesta hora de pandemia. Maus empresários podem e alguns devem estar se aproveitando disso. Resido no Parque Continental, na zona oeste da cidade de São Paulo. Na minha rua e em várias outras onde consultei moradores, até agora a Enel não fez a entrega das contas de energia elétrica que vencem nesta quinzena. A minha conta está em débito automático, tudo bem. Mas a de um vizinho bem próximo venceu na sexta-feira, não está em débito automático e também não a recebeu em papel (nem em meio eletrônico, por ordem da Enel). Ele a quitou porque, por iniciativa própria, buscou a segunda via no site da empresa. Outro conhecido teve a conta vencida no dia 5 e tampouco a recebeu. Ora, será que a Enel vai alegar aumento da inadimplência? Estaria ela provocando deliberadamente essa situação? Parece-me que compete averiguar.

WALTER J. CINTRA JR.

WALTERCINTRA@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Exames de covid-19

Resultado óbvio

Diante do desespero de que o presidente Bolsonaro está sendo acometido para não divulgar um simples exame para diagnóstico do coronavírus, não precisa mais fazê-lo, já ficou claro o resultado. Faltar com a verdade, para um presidente da República, é atitude altamente condenável. 

LUIZ FRID 

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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COMBATE À PANDEMIA

Na análise sobre o modelo sueco de combate à pandemia, foi dito em tom de crítica que isolamento vertical com distanciamento social tem eficácia duvidosa. Para debate honesto, é importante dizer que todas as estratégias têm eficácia duvidosa e nenhuma delas tem eficácia comprovada principalmente na mortalidade a longo prazo. A Organização Mundial da Saúde (OMS), tão elogiada pela imprensa, colocou a Suécia como modelo a ser seguido. Quem defende o isolamento horizontal precisa mostrar como proteger as milhões de pessoas jogadas para morrer como sendo de serviços essenciais para servir aos que estão em casa, como sustentar milhões em casa por muitos meses num país quebrado como o Brasil e como o Estado vai impor o isolamento para milhões de pessoas que vivem em regiões comandadas pelos traficantes.

Raphael Câmara Medeiros Parente, médico conselheiro federal do CFM e epidemiologista

Rio de Janeiro

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PROJEÇÕES

Sobre a matéria País tem mais 610 relatos de óbitos e só fica atrás dos EUA (Estado, 8/5, A12), o Brasil é o país que apresenta a menor taxa de propagação da covid-19, no valor atual de 0,064 morte/milhão de habitantes por dia corrido, se comparado com a França (1,282), a Espanha (0,808), a Itália (0,622), os EUA (0,321) e a Alemanha (0,134), segundo cálculos com dados coletados no painel Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (https://covid19.who.int/). Se tomarmos como certa a subnotificação no número de casos confirmados em 13 vezes, tal como sugere a Agência Fapesp, o Brasil deveria ter hoje cerca de 108 mil mortes, e não as 8.536 registradas, para manter a mesma taxa de mortalidade de 6,8%, senão a teríamos muitíssimo diminuída. Se olhamos os números da Alemanha, com a mortalidade de 4,3% e uma taxa de propagação ainda maior que a do Brasil, levo-me a crer que a subnotificação de casos por aqui não exceda 1,6 vez. Por fim, estamos conduzindo bem o País nesta tragédia. Por que não elogiar também?

Maximilian Goehler mgoehler19@gmail.com

Sorocaba

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DESGRAÇA INIMAGINÁVEL

Leio em mensagem recebida do New York Times que a administração Donald Trump secretamente projeta 200 mil casos de contaminação pelo coronavírus e 3 mil mortes por dia – (EU DISSE POR DIA) – até início de junho, apesar da redução observada nos últimos dias.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo 

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TEREMOS APRENDIDO A LIÇÃO?

Nestes tempos de coronavírus vemos claramente uma polarização. Sintoma destes tempos. De um lado, os que falam em ínfimos porcentuais de mortes. De outro, os que defendem cada morte a menos. Ora, nada melhor do que uma reflexão sempre que se tem esse tipo de comportamento: a verdade está em algum lugar no meio dos polos. Ao mesmo tempo que pessoas não são números, pessoas não são imortais. Onde está o equilíbrio? Devemos nos mobilizar para que, neste quesito, se evitem mortes desnecessárias, e esse número está diretamente ligado à capacidade de nosso sistema de saúde. Se ele funcionar perto do limite, sem ultrapassá-lo, estar-se-á fazendo um bom trabalho. Mortes são inevitáveis, ainda mais num cenário em que houve uma transmissão vertical de um vírus sem contato com a nossa espécie (as razões por isso ter ocorrido é a invasão de ecossistemas primitivos e devem ser combatidos e evitados sempre que necessário). Teremos aprendido a lição, quando o foco deixar de ser a doença (que cedo ou tarde será controlada), e sim essa necessidade do ser humano de invadir, controlar e subordinar, de forma não sustentável, o meio em que vive.

Bruno Hannud hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo

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PLACEBO

O ministro da Saúde, Nelson Teich, “ainda não mostrou a que veio, segundo avaliação de secretários estaduais, parlamentares e autoridades do SUS (...) e a impressão é a falta de conhecimento da gestão pública e uma ação tutelada por militares e pelo Palácio da Planalto” (Estadão, 6/5/2020). Para não fugir do linguajar médico científico que o caso pede, o diagnóstico acima era totalmente previsível, na medida que extirparam um anticorpo do tipo Mandetta e o substituíram por um placebo. 

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

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FALAR SEM DIZER

É angustiante assistir às entrevistas do ministro da Saúde, Nelson Teich, nas quais invariavelmente o ministro escolhe palavras não conclusivas para fazer o seu dever de, como responsável pela área da Saúde e, acima de tudo, pela sua formação médica, orientar a população claramente e de maneira inequívoca de que é  fundamental respeitar o isolamento social e só sair de casa se for inevitável. Assim, o ministro tenta o impossível: falar sem dizer.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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CRISES

Estamos passando por  crises de saúde, política e na economia. O que mais os brasileiros merecem?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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JOGO DE CENA

Não tendo o que fazer, o presidente Jair Bolsonaro e alguns empresários, sem marcar audiência, atravessaram a Praça dos Três Poderes para conversar com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, e pedir o fim do isolamento social e a abertura do comércio. Ocorre que, além de vários empresários ali serem contra esse afrouxamento – dizem que foram pegos de surpresa por Bolsonaro –, também conseguiram suspender o julgamento de sessão plenária do tribunal, até a volta de Toffoli, para ser concluída. A verdade é que Jair Bolsonaro, desde a sua posse, nada fez para diminuir o número de 12 milhões de desempregados, mas agora, em plena pandemia, quer parecer muito preocupado. Aí tem! Como já dizia aquela senhorinha de Taubaté, “muito ajuda quem não atrapalha”, viu, Bolsonero?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BOLSONARO E O SUPREMO

O sr. presidente fez uma cruzada de nobres senhores, arrebanhados às pressas, para pegar o STF de mangas de camisa, e ao crédito desse préstito deixar claro que a economia estava à berlinda por culpa do STF, pelo menos esta seria a sua primeira intenção. Existe, no sempre certeiro dito popular, um deles que diz: “Foi tosquiar e saiu tosquiado”. Ou, como querem outros, “foi buscar lã e terminou tosquiado”. Pois o dito popular teve plena acolhida e a carapuça muito bem acertada na cabeça do sr. presidente, que armou uma trama contra o Supremo Tribunal para dele colher dividendos a seu prol, buscando aliado poderoso para essa sua ideia mentecapta e impertinente da flexibilização do isolamento social. O pretendido “estouro da boiada” como solução infalível da economia foi argutamente calado por Dias Toffoli, ao assinalar que tais questões são da competência do poder administrativo, e cabe aos administradores (Estado administrativo) a solução do problema, resolvidas as questões circunstanciais: quando? Como? Onde? Que somente equipes de especialistas médicos e administradores terão condições de solucionar. Parece que o sr. presidente está querendo concertar a economia a machadada, ou concertar o mundo a marteladas. O mundo é mesmo muito estranho. Como existem pessoas que não entendem coisas tão simples que até as vovozinhas conhecem?!

Antonio Bonival Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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CERTEIRO

Recado do dr. Sebastião: “Presidente, defunto não fica desempregado”.

Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu

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INADEQUADO

De completo mau gosto foi a visita de Bolsonaro, com alguns ministros e empresários, ao STF. A Corte Suprema não deve nem pode compartilhar problemas suscetíveis de julgamentos posteriores com o Poder Executivo. Não ficaria bem melhor convidar o presidente do STF, Dias Toffoli, para um encontro em sua residência para almoço, jantar ou café da manhã? Não seria, também, o caso de o Planalto contratar um professor de boas maneiras?

 

José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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O SHOW

Os empresários que foram à Corte conheceram o ministro Dias Toffoli e um pouco melhor o presidente Bolsonaro. Voltaram do mesmo jeito que foram, com os mesmos problemas e, talvez, mais preocupados. A vantagem foi terem aparecido em todos os programas de TV.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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MERA COINCIDÊNCIA?

O general Olímpio Filho, em 31/3/1964, “marchou” impulsivamente com uma pequena tropa de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro. O ex-capitão Jair Bolsonaro, em 7/5/2020, “marchou” impulsivamente com uma pequena tropa do Palácio do Planalto ao STF. Isso não tem como acabar bem...

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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INDEPENDÊNCIA E HARMONIA DOS PODERES 

 

Quando aplicaram o formato do tripé Legislativo, Executivo e Judiciário para sustentar o regime institucional, os constitucionalistas de 1988 miravam a independência e a harmonia dos Poderes. A Carta Magna produzida tem viés parlamentarista, influência de expressiva parcela de seus elaboradores, que, no entanto, não conseguiram aprovar o parlamentarismo. No plebiscito de 21 de abril de1993, o presidencialismo venceu por 69,2% dos votos. Com a Constituição parlamentarista e os congressistas com sede de governar, os presidentes pós-88 lotearam o poder, trocando ministérios e cargos importantes de governo por votos parlamentares. Numa discutível coalizão. Durante todos os anos, os parlamentares e partidos passaram ao Judiciário, em forma de ações, a decisão daquilo que não conseguiram resolver na ação política. Isso levou a situações como liminares em que apenas um ministro do Supremo impede a execução de leis votadas pelo Congresso (513 deputados e 81 senadores) e de atos do presidente da República, como a recente nomeação do diretor-geral da Polícia Federal. Depois de tantos anos delegando prerrogativas ao Judiciário, congressistas hoje propõem que leis e atos presidenciais só possam ser obstados por decisão do colegiado, jamais por apenas um ministro. Oxalá seja o começo de uma grande reforma. Que também se limite o direito do presidente da República de editar medidas provisórias, reservando-as apenas para situações de guerra ou catástrofe. E que o Congresso seja impedido de continuar matando projetos com o engavetamento, sem a sua apreciação pelos deputados e senadores. São procedimentos que tumultuam os poderes constituídos e enfraquecem a democracia.   

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

                                                                                                          

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INSENSATO E INCORRIGÍVEL

Diante do pavor da pandemia, usar máscara é gesto inteligente. De bom senso. Deve-se punir, sim, com rigor quem insiste em não usar. Quer morrer, que morra sozinho. Não contamine os outros. Bolsonaro não é santo. Não somos. Santos estão nas igrejas e no céu. Por ser intolerante e vítima de maluco assassino, Bolsonaro não tem o direito de ser destemperado nem grosseiro. Muito menos de insultar as instituições. Alegar, bater no peito que cumpre a Constituição não é monopólio do presidente da República. É obrigação. Derreter-se em lamúrias alegando trabalhar com denodo pelo País também é dever de todo chefe da Nação. Não faz nenhum favor. Igualmente deplorável debochar, xingar e ameaçar desafetos. O erro faz parte das deficiências do ser humano. Insistir neles é asnice, ignorância e má-fé. O clamor do mundo, dos médicos, cientistas e das pessoas que contraíram o vírus da covid-19, mas que se curaram, é no sentido de preservar vidas. De ficar em casa, evitando mais mortes. Nessa linha, então, Bolsonaro deveria se render às evidências. Deixar de exortar e participar de irresponsáveis aglomerações. Não demora, marcará “pelada” com seguranças e áulicos no campo do Alvorada. Com direito a torcida dos “apoiadores”. É dever dos cidadãos alertar, criticar e elogiar gestos de grandeza do presidente. Pisando na bola, como tem feito com espantosa insistência, deve ser duramente criticado pela imprensa e pela população. Pintar Bolsonaro como coitadinho, mito e vítima é pavoroso e raso argumento. Não tem postura de chefe de governo. Não consegue se conter e derrete-se em coices. Precisa, pelo menos, usar máscara, nos frequentes delírios de dono da Constituição.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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DOMINGO DE CHURRASCO

O Brasil espera que o churrasco com os amigos em plena quarentena seja um dos últimos atos de Jair Bolsonaro na Presidência da República. Bolsonaro segue desrespeitando a Constituição, o bom senso, a ciência e o povo brasileiro com seu comportamento indolente diante da perda de milhares de vidas de cidadãos brasileiros. Até agora não se ouviu uma única palavra de conforto do presidente da República para os milhares de cidadãos brasileiros que perderam entes queridos numa das maiores tragédias que o País já enfrentou em todos os tempos. O Brasil espera que as instituições cumpram seu dever e afastem o pior presidente que a República já teve. Motivos para isso não faltam.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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NADA SAUDÁVEL

Todo dia a gente se pergunta: o que ele aprontou hoje? Não é nada saudável para o povo brasileiro ter de ser comandado por um ser tão tresloucado como este Bolsonaro. Renúncia, impeachment  ou manicômio já.

Eliana Pace pacecon@uol.com.br

São Paulo 

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ATRAÇÃO DOMINGUEIRA

Para quem, apesar do coronavírus, quiser um excelente programa ao ar livre em Brasília, temos uma  sugestão. Trata-se de uma alternativa ao zoológico, que está fechado. É interessante vestir alguma coisa verde ou amarela (ou ambas) para ficar bem no clima da claque. Aconselho não portar nenhum equipamento que possa confundi-los com trabalhadores da imprensa, então é bom deixar câmeras mais sofisticadas em casa. Aí, é só se dirigir ao Palácio da Alvorada e colocar-se dentro dos cercadinhos. Se der sorte, o presidente aparecerá, acompanhado de uma turba de puxa-sacos. Então, será o espetáculo tão esperado: declarações estapafúrdias, ataques ao Congresso, ao STF, à imprensa. Você pode até ter feito um bolão para adivinhar os execrados da vez – será Rodrigo Maia, João Doria, a Globo, o Estadão? É pena que o clã ainda não tenha adotado a prática dos lanchinhos. Poderiam usar presunto, ao invés da mortadela de governos anteriores. À noite, é cercar-se de cerveja, salgadinhos e assistir ao Fantástico – você pode até aparecer.

Nestor Rodrigues Pereira Filho nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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NOSSO ‘MITO’

Aproveitando a aglomeração de seu fã-clube na frente do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro toma atitudes e faz discursos que são claros atentados à saúde pública e à democracia. Sem máscaras, o presidente e sua comitiva avançam sobre a aglomeração das pessoas, onde ele aperta mãos, tira selfies, carrega crianças no colo, etc. Além de ser afronta a todas as recomendações das autoridades de Saúde neste momento, coloca as pessoas em risco de contaminação pela covid-19, mas não ele próprio, já que ele foi infectado e, felizmente, curado. Suas declarações contra os Poderes Legislativo e Judiciário e contra a imprensa livre são um perigo maior, por serem contra a própria democracia. Quer dar a impressão de que o povo e as Forças Armadas estão ao seu lado nesta imaginária batalha com objetivos escusos. Pois bem, sua turma de admiradores não é o povo brasileiro e é o papel da imprensa informar, denunciar e analisar os acontecimentos. Por fim, as Forças Armadas devem deixar bem claro que são instituições da República, e não serviçais do presidente de plantão.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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JUDAS JB

Judas é o mito que virou mico e traiu o voto e a esperança de 57 milhões de brasileiros que acreditaram que o presidente Jair Bolsonaro faria um governo decente, democrático, de combate intransigente aos malfeitos, às práticas de corrupção e ao crime organizado. Se há um traidor a ser apontado e malhado, certamente não é o respeitado ex-juiz paladino da Lava Jato e ex-ministro Sergio Moro.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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INSUFICIENTE

A comunidade de analistas políticos cujo propósito principal é ver o circo da nossa já frágil democracia pegar fogo, diferentemente dos que constroem comentários sérios e procuram, por meio deles, apresentar opiniões isentas e imparciais, parece ter-se decepcionado com o que restou de significativo para eles das quase oito horas de depoimento prestado pelo ex-ministro Sergio Moro, ou seja, a frase constante de mensagem transcrita no relatório das suas declarações aos investigadores e que figurou com destaque nas últimas manchetes exibidas pelos principais jornais do País, simbolizando o principal argumento que justificou seu espetacular pedido de demissão ao vivo e a cores, configurado por uma suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro, materializada, neste caso, pela solicitação de nomeação do superintende da Polícia Federal do Rio de janeiro: “Moro, você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma”. Vamos combinar que, apesar de comprovadamente inoportuna, se realmente confirmada, ela é insuficiente para provar a evidência sugerida.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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O VOO

O depoimento do ex-ministro Sergio Moro à Polícia Federal de Curitiba, que durou aproximadamente 8 horas, para muitos foi inócuo, sem sal e sem açúcar, e não comprometeu o presidente, que, feliz da vida, passou a falar pelos cotovelos sobre o caso, incriminando-se. O embate Moro/Bolsonaro se encaixa na teoria do complexo do pombo que joga xadrez contra um humano. O pombo, representado pelo presidente, esparrama as peças sobre o tabuleiro, se proclama o vencedor e voa para o abismo, ou para a gaiola.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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PREMONIÇÃO

O sr. Rolando Alexandre de Souza não sabia nem imaginava que seria nomeado diretor-geral da Polícia Federal, mas sabia e imaginava que, se fosse nomeado, no mesmo dia em que tomasse posse mandaria exonerar o superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Chamamos isso de premonição. Diante disso, só nos resta, plagiando, dizer: “desceu tanto para subir e, hoje, afinal, é diretor da Polícia Federal” (Madame fulano de tal, Ciro Monteiro)

Mario Miguel mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

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PROMOÇÃO

O novo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rolando Alexandre de Souza, nem bem assumiu o cargo, exonerou o comandante da PF do Rio de Janeiro. Justificou a substituição: trata-se de promoção. Esse ato nos mostra o que é “cair pra cima”. Muita lambança!

José Perin Garcia jperin@uol.com.br

Santo André

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POLÍCIA FEDERAL DO RIO

Promover para remover. É isso?

Mauro Lacerda de Ávila lacerdaavila@uol.com.br

São Paulo

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MIDAS E BOLSONARO

O rei Midas e o presidente Bolsonaro são distintos. O primeiro transformava em ouro tudo o que tocava, conforme a mitologia grega. Já o segundo enche de nódoas tudo aquilo onde encosta as mãos, tal como a biografia de quem compõe seu caótico e desumano governo ou com ele faz acordos. O ex-juiz Sergio Moro, a atriz Regina Duarte e o procurador-geral da República Augusto Aras, entre outros, talvez tenham de passar o resto da vida se lavando obsessivamente.

Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte 

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EFEITOS DE UMA GUERRA

 

Embora o presidente Roosevelt estivesse plenamente alinhado a Churchill quanto à necessidade de somar forças ao combate à política totalitária nazifascista que devastava a Europa, o fato é que, na cabeça do povo americano, Hitler era a única liderança mundial capaz de fazer frente ao demônio do comunismo. Essa foi, historicamente, a grande razão da demora dos EUA para entrar na guerra. Foi preciso acontecer Pearl Harbor para acordar aquela grande nação. Algo assim pode estar acontecendo no Brasil como efeito da pandemia. O brasileiro pode estar a rever seus conceitos que prevaleceram nas eleições presidenciais de 2018, quando via em Bolsonaro o único candidato com credenciais para derrotar a corrupção institucionalizada pela nefasta esquerda socialista, representada pelo PT, de Lula. Um alento é que, no meio desta guerra contra o vírus, novas lideranças estão surgindo.

Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

São Paulo

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