Fóssil de'peixe-lagarto' é descoberto por acidente nos EUA

Entre o achado do fóssil e a publicação do artigo que o descreve em revista científica se passaram quase 15 anos

CHICAGO , O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h06

Um réptil marinho de 8,5 metros de comprimento e com cerca de 245 milhões de anos, descoberto acidentalmente por um cientista ligado a um museu de Chicago há quase 15 anos, finalmente foi descrito em uma revista científica. O caminho tortuoso da descoberta se deve às dificuldades de escavação e à demora dos cientistas para perceber que a descoberta era mais rara do que pensavam.

Agora batizado como Thalattoarchon saurophagis, o ictiossauro - palavra derivada do grego que significa "peixe-lagarto" - foi descoberto em julho de 1998, quando o geólogo Jim Holstein, do Field Museum, fazia uma trilha e buscava por fósseis com dois colegas nas Montanhas Augusta, no centro de Nevada, que há centenas de milhões de anos era solo marinho. Holstein credita sua descoberta a seu cansaço. Segundo ele, seus colegas mais experientes passaram por cima do crânio do animal, mas o novato reparou no espécime porque estava cabisbaixo.

Ictiossauros foram comuns naquela região e não é muito difícil encontrar um fóssil de um dos maiores predadores marinhos daquela época. Mas o espécime encontrado por Holstein tinha uma característica distinta: dentes muito maiores que o normal e afiados dos dois lados.

De acordo com a bióloga Nadia Fröbisch, que fez seu pós-doutorado na Universidade de Chicago e hoje trabalha em um museu em Berlim, que assina o artigo descrevendo a descoberta de Holstein na edição eletrônica da Proceedings of the National Academy of Sciences, o espécime é do tipo mais antigo dos ictiossauros e apenas o segundo a ser registrado até hoje que possui esse tipo de dentes. Ela também explica que provavelmente esse animal era um "superpredador", capaz de comer animais do mesmo tamanho que ele - como fazem as orcas.

Demora. Encontrar um grande fóssil é uma coisa. Escavá-lo de um terreno montanhoso é outra, bem mais complicada. Quando fizeram a descoberta, os três cientistas não perceberam seu significado potencial e apenas a anotaram no diário da expedição, feito por Martin Sanders.

Por sete anos essas anotações ficaram esquecidas, até que Nadia, então aluna de Sanders na Universidade de Bonn, leu as anotações e reparou na descrição dos dentes do animal. Ela lembrou que só havia registro de um ictiossauro com dentes semelhantes, encontrado no Himalaia. Ao voltar ao local em 2005, eles entenderam que se tratava de uma nova espécie. O animal foi escavado por um mês em 2008 e então levado até Chicago, onde foi estudado até recentemente. Agora o museu pretende exibir o fóssil, quase intacto. /CHICAGO TRIBUNE

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