França pede que seus cidadãos deixem Costa do Marfim

A França recomendou que seus cidadãos deixem a Costa do Marfim, enquanto se aprofunda a violenta luta pelo poder entre o presidente em exercício, Laurent Gbagbo, e seu rival Alassane Ouattara.

JOHN IRISH E TIM COCKS, REUTERS

22 de dezembro de 2010 | 12h34

O Banco Mundial disse que congelou os financiamentos para a Costa do Marfim, aumentando as pressões sobre Gbagbo para que deixe o poder.

Gbagbo se nega a deixar a Presidência após a eleição presidencial de 28 de novembro, que países africanos e potências ocidentais dizem que ele perdeu para Ouattara, em uma disputa que já deixou 50 mortos e ameaça reiniciar uma guerra civil.

"Pedimos aos que puderem deixar a Costa do Marfim temporariamente, até a situação se normalizar, que o façam," disse a repórteres o porta-voz do governo, François Baroin, em Paris. Hoje há cerca de 13 mil cidadãos franceses na Costa do Marfim, ex-colônia francesa.

A União Europeia e os Estados Unidos impuseram sanções sobre Gbagbo e membros de seu círculo interno, numa tentativa de pressioná-lo a sair, e países africanos lhe ofereceram refúgio em boas condições.

Mas Gbagbo não dá sinais de estar cedendo às pressões, e na noite de terça-feira convidou um comitê internacional para reexaminar os resultados da votação. Um porta-voz de Ouattara, na quarta-feira, qualificou de tática de adiamento.

"Nos últimos cinco anos ele fez manobras diversas para tentar adiar as eleições. Finalmente as fizemos, ele perdeu, e agora ele não quer entregar o poder," disse ao telefone Patrick Achi, um porta-voz do governo rival de Ouattara.

A Nigéria, um dos países que ofereceu refúgio a Gbagbo, disse na terça-feira que já retirou todos seus diplomatas da Costa do Marfim depois de um ataque contra sua embaixada em Abidjan e que vai retirar seus outros cidadãos do país.

A turbulência na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, elevou os preços do cacau à máxima dos últimos quatro meses e suscitou o receio de que possíveis combates possam bloquear as exportações do produto.

Os resultados provisórios da eleição, que davam uma vitória a Ouattara por oito pontos percentuais, foram validados pela Organização das Nações Unidas mas rejeitados pelo mais alto organismo legal da Costa do Marfim, chefiado por um aliado de Gbagbo.

Esta semana, o Conselho de Segurança da ONU desafiou Gbagbo, estendendo o mandato de sua força de paz de 10 mil homens, que Gbagbo havia pedido que deixasse o país.

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