França reverencia obras do artista

A França gosta muito dele. Ela o considera um dos gigantes da arquitetura mundial e foi em Paris que ele se instalou para fugir da ditadura dos generais, em 1967. Ele projetou obras imponentes no país, em particular a sede do Partido Comunista Francês (PCF), em 1980, um edifício que parece uma "cidadela proibida" e que é revestido por uma cúpula extravagante envolvendo a antiga sala do Comitê Central do PCF.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h50

Na mesma época, projetou a Universidade de Constantine, na Argélia, depois a Casa de Cultura da França, no Havre.

Em Paris, ele era festejado, primeiro por ser brasileiro, depois por ter fugido de uma ditadura por ser comunista, e, por fim, porque exercia sobre todos uma sedução que, segundo dizem, era uma de suas especialidades. Ele frequentava tanto os Malraux ou os Jean-Paul Sartre e Saint-Germain-des-Près como os bistrôs e mercados de bairro.

Niemeyer cativava os jornalistas com sua verve e sua generosidade, com sua bela cabeça de aristocrata de testa alta. Entre estes, Edouard Bailby, que escreveu em 1933 um Niemeyer par Lui-Lême ("Niemeyer por Ele Mesmo"), e Henri Raillard, que esteve na origem de um livro muito bonito de Niemeyer, Les Courbes du Temps (no Brasil, As Curvas do Tempo, Memórias).

O título desse livro foi bem escolhido: discípulo fascinado por Le Corbusier, Niemeyer mais tarde se afastou de seu mestre por certas razões e sem dúvida porque seus sonhos eram o oposto dos sonhos a um só tempo "suíços", matemáticos, quadrangulares e "cartesianos" de Le Corbusier. O livro As Curvas do Tempo é um cântico à glória da linha curva. À glória da areia, das ondas do mar, das nuvens e do vento, das praias do Brasil. E, antes de tudo, à glória do corpo feminino, grande façanha da parte de um homem que, junto com Lúcio Costa, construiu em três anos uma capital de concreto e vidro, aliás suntuosa.

"Niemeyer não é redutível ao rígido espartilho de um estilo ou de uma escola", escreveu ontem Frédéric Edelman no jornal Le Monde. "Como esse carioca sensual e caloroso, apesar de sua soberba - tudo o opõe, quanto a isso, de seu ídolo suíço -, conseguiria dispensar as curvas e sua liberdade? Essas curvas que ele associava sempre a sua paixão pelo corpo feminino ("corpo violão"), um de seus dois temas prediletos, junto com a arquitetura."

No mesmo número do Le Monde, revelemos ainda o título de um magnífico artigo vizinho: Longe das teorias, as curvas livres, elegantes e desenvoltas do gênio. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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