Francisco não é um nome, é todo um programa de Igreja, diz teólogo

Leonardo Boff acredita que o novo papa dará centralidade ao povo de Deus

Heloisa Aruth Sturm - O Estado de S.Paulo,

13 de março de 2013 | 20h34

RIO - O teólogo Leonardo Boff disse que a escolha do nome de Francisco pelo novo papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio, diz muito sobre os novos rumos da Igreja. "Eu já fiz a profecia no twitter, há uma semana, que o futuro papa ia se chamar Francisco. Porque Francisco não é um nome, é todo um programa de Igreja, uma igreja simples, sem poder, ligada aos pobres, com uma relação totalmente diferente com a natureza".

Para Boff, o novo papa demonstrou que dará centralidade ao povo de Deus, e não à hierarquia. "Por isso primeiro ele pediu que o povo abençoasse a ele, e só depois é que ele vai abençoar o povo". O teólogo afirma que presidir na caridade, como o papa Francisco afirmou que o faria, é a luta ecumênica desde Lutero até hoje, e representa uma demonstração de fraternidade com todos os povos. Boff disse ainda que o argentino "superou a espetacularização do papa" porque, ao falar pela primeira vez com os fiéis, manteve-se parado, sério, sóbrio, "até parecia temeroso pelo peso do cargo".

Ele também acredita que a chegada de um papa "que vem de fora dos muros de Roma, vem da periferia do mundo", onde habitam 60% dos católicos de todo o mundo, enfatizará as experiências pastorais da Igreja na América Latina, ligadas ao povo, à libertação, à opção pelos pobres e contra a pobreza, ao tema da justiça social e da justiça ecológica.

Boff acredita que o novo Papa irá descentralizar a Igreja e ativar o que o Vaticano II tinha criado e que havia sido totalmente esvaziado pelos últimos dois papas: o Sínodo dos Bispos, corpo que se reúne a cada três anos para, junto com o Papa, governar a Igreja, mas que tanto João Paulo II quanto Bento XVI deram a ele somente um poder consultivo e nenhuma função decisiva; e a colegialidade das conferências continentais e nacionais, dando a suficiente autonomia para que as igrejas locais atuem nas suas particularidades e que Roma funcione como uma referência de unidade, uma referencia na mesma fé. "Ele é uma promessa".

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