Francisco rezará primeira missa no domingo

Novo papa comandará o 'Angelus' após celebração ser suspensa por duas semanas, em razão da renúncia de Bento XVI

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h21

ROMA - Jorge Mario Bergoglio celebrará sua primeira missa como papa Francisco no domingo, na Praça São Pedro. A confirmação do arcebispo emérito de Buenos Aires como pontífice foi feita pelo porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, instantes depois da apresentação do novo papa.

Assim, depois de dois domingos sem Angelus, em razão da renúncia de Bento XVI, a Igreja Católica voltará a celebrar sua oração dominical em praça pública, agora sob o comando de um pontífice "que quer servir".

A missa papal não vinha sendo realizada desde que Joseph Ratzinger deixou o Vaticano e foi para Castel Gandolfo, a residência de verão do pontífice. De acordo com Lombardi, o papa emérito - que acompanhou o resultado do conclave pela TV - não participará do primeiro culto de seu sucessor.

Antes de rezar o Angelus, porém, Francisco deve visitar a Basílica de Santa Maria Maggiore, a mais antiga igreja romana dedicada à Nossa Senhora, segundo o Vaticano. "O papa disse que quer rezar a Nossa Senhora e amanhã provavelmente vai visitar Santa Maria Maggiori", disse Lombardi.

O porta-voz do Vaticano também saudou a escolha do primeiro papa não europeu na história da Igreja Católica. "Nós sabemos que há muitas expectativas por parte dos católicos latino-americanos e esta é uma boa resposta a essa expectativa", disse Lombardi, que demonstrou surpresa com a escolha . "Estou chocado por ter um papa jesuíta, pois os jesuítas não se põem em condição de autoridade, mas em condição de servidor", explicou o porta-voz. "Mas creio que o papa Bergoglio viva isso como um chamamento para servir. Temos um papa que quer servir."

Ainda de acordo com Lombardi, a escolha de Bergoglio - um nome que não figurava nas listas de favoritos durante as reuniões pré-conclave, as congregações gerais - revela que a disputa pelo poder na Igreja Católica ficou em segundo plano. "Sua eleição não exprime uma busca pelo poder, mas uma recusa do poder e o apego ao serviço em estado puro", afirmou o porta-voz.

Mais cedo, após as votações da manhã, Lombardi já havia antecipado aos jornalistas que a quarta votação do conclave que decidiria o sucessor de Ratzinger se aproximava do fim. "Estamos em uma fase decisiva", disse. "Em breve, conheceremos o sucessor de Bento XVI."

"Nos próximos dias ou talvez na próxima hora teremos a eleição do novo papa", afirmou o porta-voz, em uma declaração que surpreendeu os jornalistas e ajudou a mobilizar a multidão à espera na Praça São Pedro. Segundo Lombardi, até então, a eleição do novo papa ocorria "em clima sereno", o que seria o "prelúdio de uma belíssima experiência".

/ ANDREI NETTO

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