Francisco, um papa latino-americano

Com a eleição do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, um jesuíta austero de 76 anos, Igreja Católica escolhe o primeiro pontífice de fora da Europa em 1,3 mil anos e reforça mudança do seu eixo de poder

JOSÉ MARIA MAYRINK, JAMIL CHADE, ANDREI NETTO, ENVIADOS ESPECIAIS / VATICANO, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h21

O centro de gravidade da Igreja mudou. Foi uma surpresa geral. Os fiéis que lotavam ontem a Praça São Pedro precisaram de alguns minutos para entender o nome do papa eleito, antes de aplaudi-lo. "Eu vos anuncio uma grande alegria: temos papa, o digníssimo senhor Jorge Mario, cardeal Bergoglio, que escolheu o nome de Francisco", comunicou o protodiácono Jean-Louis Tauran, cardeal francês, do balcão da Basílica de São Pedro. Argentino, Francisco entra para a história da Igreja Católica como o primeiro papa do continente americano. Havia quase 1,3 mil anos que o escolhido era da Europa.

A escolha confirmou a transformação revolucionária do centro de poder da Igreja - da Europa para um país em desenvolvimento. Os fiéis já haviam seguido essa linha. Agora, foi a vez da cúpula da Igreja.

O mundo conheceu o nome do 266.º homem a ocupar o trono de Pedro às 20h12 (16h12 em Brasília), uma hora e sete minutos após a fumaça branca ter saído da chaminé da Capela Sistina, depois de uma votação na terça-feira e quatro ontem.

Em sua primeira mensagem, Francisco agradeceu aos fiéis e afirmou que gostaria de fazer uma oração a Bento XVI, a quem chamou de "nosso bispo emérito". Hoje, Francisco visitará Bento XVI, em Castel Gandolfo.

Primeiro jesuíta a ser papa, austero, ao escolher o nome Francisco, mandou um recado claro: vai atuar para lidar com os pecados da Cúria, como a ambição pelo poder e os escândalos de corrupção. E deu uma demonstração de seu tom: usou o balcão para uma singela apresentação, quase um "Bom noite, sou Francisco".

Em 2005, teve grande votação no conclave que elegeu Bento XVI. Há 27 anos, Bergoglio é alvo de grupos de direitos humanos na Argentina. Para parte dos militantes, ele ilustra o silêncio da Igreja sobre crimes praticados pelo regime militar (1976-1983). Nos últimos anos, sofreu um revés em seu país com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

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