Fraport mantém foco no Brasil, espera ajustes em novos editais

A Fraport AG mantém o interesse em atuar no Brasil por meio de futuras concessões de aeroportos, embora espere ajustes nos próximos editais em relação aos leilões realizados no início do ano, afirmou um executivo da operadora alemã nesta terça-feira.

Reuters

07 de agosto de 2012 | 14h56

Entre os principais questionamentos da companhia aos leilões realizados este ano no país está a exigência de experiência mínima de transporte de 5 milhões de passageiros por ano das operadoras interessadas nas concessões, algo que ampliou o leque de grupos disputando os leilões.

"O Brasil é o único caso em que em um aeroporto com 30 milhões de passageiros foi exigida (experiência de) 5 milhões", disse o diretor de projetos da Fraport, Felix von Berg, a jornalistas, durante evento do setor de aviação. Ele se referiu ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), cujo leilão de fevereiro foi vencido por consórcio da Invepar com a sul-africana Acsa.

"Eu tenho esperança de que (os próximos editais de concessão) mudem para mais de 5 milhões... É preciso exigir mais que tráfego anual."

A Fraport participou da disputa pelo aeroporto de Guarulhos em parceria com a Ecorodovias e fez a segunda maior proposta pelo maior aeroporto brasileiro. O consórcio da Invepar com a Acsa venceu com oferta de 16,2 bilhões de reais.

A Fraport acredita que se o aeroporto do Galeão (RJ) entrar na próxima rodada de concessões, será uma grande opção para a companhia, mas "vamos avaliar baseado no edital", disse Berg. Além disso, o aeroporto de Confins (MG) também desperta interesse, afirmou.

O executivo defendeu ainda que os operadores de aeroportos sejam mantidos como sócios-investidores nos consórcios nos futuros leilões. "É o único jeito de garantir que o plano de negócios seja realista", disse.

Ele acredita que eventual novo edital de concessão de aeroportos possa sair ainda no quarto trimestre deste ano, com o leilão sendo realizado até o fim do primeiro semestre de 2013.

INTERESSE EM PORTUGAL

O diretor de projetos da Fraport confirmou o interesse da companhia no processo de privatização da estatal portuguesa de administração de aeroportos ANA.

Segundo o chefe de planejamento da ANA, Nuno Moreira, a privatização da empresa deve ocorrer logo depois da companhia aérea TAP, cuja venda foi aprovada recentemente pelo Conselho de Ministros português.

"O modelo ainda não está cristalino. Mas irão vender a TAP primeiro e depois a ANA", explicou.

O diretor de projetos da Fraport afirmou que o processo pode ser iniciado no começo de setembro. Atualmente, a ANA administra quatro aeroportos em território português, quatro na ilha de Açores, além de participações em outros dois aeroportos.

(Por Carolina Marcondes)

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