Fraude em NY expôs falhas do exame

Prisão de universitário que fez SAT para sete candidatos expõe falhas de segurança; temor é de que prática seja comum

JENNY ANDERSON , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h02

Um caso recente de fraude no teste SAT - exame equivalente ao Enem aplicado nos Estados Unidos -, ocorrido no Estado de Nova York, acendeu o alerta sobre falhas de segurança e levou especialistas a proporem mudanças na forma como o exame é aplicado.

Nos últimos dias, Samuel Eshaghoff, de 19 anos, aluno do 2.º ano da Universidade Emory, da Geórgia, foi detido por ter supostamente aceitado dinheiro para fazer o SAT no lugar de sete alunos do ensino médio de uma escola do condado de Nassau, Estado de Nova York.

De acordo com a promotora Kathleen Rice, Eshaghoff fez as provas usando uma carteira de motorista emprestada e seis cartões falsos de identidade estudantil. Todos, exceto uma menina (com quem tem relacionamento amoroso), lhe pagaram cerca de US$ 2,5 mil. As notas obtidas por Esaghoff variavam entre 2.170 e 2.220 de um total de 2.400 pontos possíveis.

A promotora acredita que o esquema começou em novembro de 2009. Rice investiga duas outras escolas e pelo menos outros quatro participantes do teste, "Acredito que a prática seja mais sistêmica, indo além desse caso na escola Great Neck North", disse .

Professores da escola começaram a ouvir rumores sobre fraudes em fevereiro. A escola preparou uma lista de alunos que tinham participado do teste fora do distrito, e então comparou as notas obtidas no SAT com as médias conceituais deles. Sete estudantes tinham notas médias na casa do B ou B-, mas obtiveram um acerto de 97% no SAT, levantando suspeitas. Uma análise caligráfica mostrou que um mesmo aluno tinha feito as sete provas.

Representantes das escolas dizem que o sistema de exames tem muitas falhas, entre elas os trapaceiros não serem alvo de nenhum tipo de castigo - apenas a anulação do teste. Nem as universidades nem as escolas são alertadas das suspeitas de fraude. Especialistas propõem que os estudantes sejam obrigados a fazer o exame em suas próprias escolas. Hoje, os alunos se inscrevem para fazer o SAT por meio da internet, e podem fazê-lo em outro distrito, onde a troca de identidade é mais difícil de ser detectada.

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