Fraude no Saresp causa revolta

Mães dos alunos de escola estadual de Sorocaba suspeita de ter fraudado exame se dizem traídas pela direção

JOSÉ MARIA TOMAZELA, SOROCABA , O Estado de S.Paulo

18 Maio 2012 | 03h06

Mães de alunos da Escola Estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado, de Sorocaba, acusada de ter fraudado a prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) se dizem "traídas" pela direção do estabelecimento. No Saresp de 2011, todos os 27 alunos da escola tiraram 10 em matemática e a média de português foi 9,1. O desempenho garantiu à escola do Jardim Iporanga, bairro pobre da cidade, nota 9,3 - a maior entre todas as unidades da rede estadual de São Paulo.

Uma investigação determinada pela Secretaria Estadual de Educação encontrou indícios de fraude. O processo será encaminhado à Coordenadoria de Procedimentos Disciplinares da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Os supostos envolvidos na fraude deverão apresentar defesa. "A gente tinha a maior confiança na diretora e nos professores. Meu sentimento é de traição", disse Maria Aparecida de Souza, que tem um filho na escola. Sua filha A., de 11 anos, fez a prova em que os alunos teriam sido favorecidos pelos professores e teve nota alta.

Josilene dos Santos, de 25 anos, tia de um dos alunos que denunciaram a suposta fraude, disse que o resultado da investigação comprova que o estudante falou a verdade. "Muito gente do bairro olhou torto para ele, mas o menino foi sincero." O sobrinho, L. de 12 anos, agora estuda em outra escola.

A reportagem procurou, ontem, a diretora Vicentina de Jesus Santos, mas teve a informação de que ela havia sido chamada para uma reunião na Delegacia de Ensino de Sorocaba e estava com o celular desligado.

O resultado do Saresp teria resultado num bônus de 2,9 salários aos profissionais da escola. A secretaria informou que a revisão das notas e a retirada do bônus só ocorrerão após o fim do processo.

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